Prejuízos climáticos no Brasil somaram perdas bilionárias à economia em 2025

Prejuízos climáticos no Brasil somaram R$ 28 bilhões em 2025, com perdas concentradas em secas que afetaram agronegócio, energia e infraestrutura, segundo estudo. Continue lendo e saiba mais.
prejuízos climáticos no Brasil afetam economia em 2025
Secas e eventos extremos ampliaram perdas econômicas no país ao longo de 2025.

Os prejuízos climáticos no Brasil alcançaram R$ 28,3 bilhões em 2025, segundo relatório divulgado pela corretora e consultora de riscos Aon. O valor apresentado reflete danos econômicos provocados por secas, tempestades e inundações, com efeitos diretos sobre a atividade produtiva, a infraestrutura e o desempenho setorial do país.

Apesar do número impressionante, o montante ficou abaixo do registrado em 2024, quando eventos extremos elevaram as perdas para cerca de R$ 63 bilhões, impulsionados pelas enchentes no Rio Grande do Sul. Ainda assim, a comparação anual não altera a leitura econômica de fundo apresentada pela consultoria, que aponta uma recorrência de perdas em patamares elevados.

Prejuízos climáticos no Brasil e o peso das secas

De acordo com a Aon, as secas responderam por 88% dos prejuízos climáticos no Brasil em 2025, somando R$ 25,1 bilhões. A estiagem atingiu sobretudo Centro-Oeste e Sudeste, com impactos relevantes sobre o agronegócio, o abastecimento de água e a geração de energia, setores sensíveis à variabilidade climática.

Para Beatriz Protasio, CEO de resseguros da Aon no Brasil, o país passou de um histórico de menor exposição a um contexto de perdas recorrentes. Segundo ela, a combinação entre maior frequência de eventos extremos e fragilidades da infraestrutura urbana amplia o custo econômico desses episódios ao longo do tempo.

Os efeitos da estiagem também se refletiram na matriz elétrica. Em agosto de 2025, a participação das hidrelétricas na geração nacional caiu para 48%, o segundo menor nível da série histórica, distante da média de 66%, elevando a dependência de fontes térmicas e os custos do sistema.

Danos econômicos causados por eventos extremos

Por outro lado, as tempestades provocaram prejuízos climáticos de R$ 3,3 bilhões, o que representou aproximadamente 11% do total apurado no Brasil. Com danos, inclusive concentrados em residências, comércios e infraestruturas do Sudeste e do Sul.

Esse tipo de evento também gerou perdas relevantes dentro do Brasil em 2025. No Rio Grande do Sul, chuvas intensas registradas em junho provocaram novas inundações em dezenas de municípios. Inclusive, com danos a áreas urbanas, estradas, pontes e atividades produtivas. Além disso, levantamentos preliminares de governos estaduais e da Defesa Civil apontaram prejuízos bilionários. Sobretudo, por interrupções logísticas, paralisação de serviços e custos emergenciais de reconstrução.

Prejuízos climáticos no Brasil no cenário global

No contexto internacional, a Aon contabilizou 49 eventos extremos com perdas bilionárias em 2025, acima da média histórica. Os prejuízos globais somaram US$ 260 bilhões (cerca deR$ 1,36 trilhão) com destaque para os incêndios na Califórnia e o furacão Melissa, no Caribe, cuja intensidade foi associada ao aquecimento global por análises científicas.

Esse ambiente indica que os prejuízos climáticos no Brasil se inserem em uma dinâmica mais ampla de acumulação de perdas econômicas, pressionando seguros, resseguros e o planejamento de médio prazo. A variável climática, cada vez mais frequente, passou a integrar o cálculo econômico do país.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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