Vorcaro impõe condições para depor na CPMI do INSS após adiamento

Vorcaro impõe condições para depor na CPMI do INSS, limita o escopo das perguntas e força a comissão a operar sob restrições jurídicas e prazo apertado.
Vorcaro impõe condições para depor na CPMI do INSS durante investigação sobre consignado
Dono do Banco Master terá depoimento na CPMI do INSS com escopo delimitado ao crédito consignado. Foto: Ana Paula Paiva/Valor

Na esteira de negociações internas no Congresso, Daniel Vorcaro impõe condições para depor na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que foi remarcado para o dia 26 deste mês. O acordo estabelece que o executivo responderá apenas a questões ligadas aos descontos irregulares em benefícios previdenciários, eixo formal da comissão, e afasta a judicialização prévia no Supremo Tribunal Federal (STF).

O entendimento construído entre parlamentares reconhece o direito ao silêncio fora do objeto da CPMI e delimita o alcance das perguntas. Na prática, temas como a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), contratos empresariais paralelos e negócios familiares ficam fora do radar oficial da audiência. O desenho busca evitar conflitos institucionais e preservar garantias legais do depoente.

Vorcaro impõe condições para depor e redesenha a CPI

O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que respeitará as garantias constitucionais durante a oitiva, embora outros integrantes possam adotar postura distinta. Segundo ele, a autoridade da CPMI se restringe ao exame do crédito consignado e dos descontos em aposentadorias e pensões de beneficiários do INSS, foco declarado do colegiado.

Enquanto isso, a comissão pretende aprofundar a análise de documentos, relatórios técnicos e operações financeiras relacionadas ao consignado. A estratégia é chegar à audiência com um conjunto probatório robusto, capaz de sustentar questionamentos dentro do escopo permitido e reduzir espaços para evasivas.

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Limites jurídicos, STF e garantias individuais

O deslocamento de Vorcaro a Brasília foi autorizado pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, com a manutenção de medidas cautelares como tornozeleira eletrônica e restrições de circulação. A decisão ilustra a interface entre o Judiciário e o Legislativo, ao compatibilizar a oitiva parlamentar com condições judiciais em vigor.

Nesse contexto, Vorcaro impõe condições para depor que operam como baliza jurídica para a comissão. Caso não compareça na nova data, a presidência já sinalizou a possibilidade de condução coercitiva, medida prevista no regimento para assegurar a presença do convocado.

Disputa política e prazo da comissão

Paralelamente, a CPMI enfrenta uma disputa sobre a prorrogação do prazo de funcionamento. A oposição defende ampliar os trabalhos por mais dois meses, além do limite regimental de 120 dias. Já o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), resiste à prorrogação e concentra a decisão final.

Às vésperas do calendário eleitoral, o impasse expõe custos políticos e operacionais. Ainda assim, Vorcaro impõe condições para depor, o que mantém a CPI restrita ao escopo jurídico definido. O avanço dos trabalhos passa a depender do tempo disponível e da capacidade do colegiado de produzir resultados dentro dessas limitações.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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