Salário de Marco Buzzi ultrapassa R$ 260 mil e revela regra do STJ após afastamento

O salário de Marco Buzzi chegou a R$ 260 mil em um único mês, segundo o CNJ. Mesmo afastado do STJ, o ministro mantém o subsídio básico, o que evidencia como funcionam as regras do Judiciário durante investigações.
salário de Marco Buzzi como ministro do STJ
Marco Buzzi, ministro do STJ, teve remuneração acima do teto registrada em 2025, segundo dados do CNJ

O salário de Marco Buzzi atingiu R$ 260 mil líquidos em setembro de 2025, segundo dados oficiais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Isso ocorreu mesmo antes de seu afastamento cautelar do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O valor chama atenção por ultrapassar com folga o teto do funcionalismo público. Além disso, ajuda a explicar como funcionam as regras de remuneração no Judiciário em situações de investigação.

O ministro foi afastado por unanimidade pelo STJ, em sessão extraordinária realizada nesta terça-feira (10/02), após denúncias de importunação sexual. Apesar da decisão, o magistrado continuará recebendo o salário-base de R$ 44 mil enquanto as apurações seguem em curso, conforme normas administrativas vigentes.

Salário de Marco Buzzi e os valores acima do teto

Os registros do CNJ indicam que o salário de Marco Buzzi superou o limite constitucional em diversos meses de 2025. Além dos R$ 260 mil recebidos em setembro, o ministro teve rendimentos líquidos de R$ 100 mil em outubro. Ele também recebeu cerca de R$ 113 mil em novembro e R$ 143,6 mil em dezembro.

Esses pagamentos aparecem no contracheque sob a rubrica “direitos eventuais”, normalmente associada a indenizações, verbas retroativas ou ajustes administrativos. Embora o teto do funcionalismo seja atrelado ao subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), esse tipo de rubrica, chamada de penduricalhos, permite que os valores finais ultrapassem o limite mensal.

Por que o STJ decidiu afastar mesmo com salário mantido

Nos bastidores do tribunal, o afastamento foi tratado como uma medida excepcional. Integrantes do STJ relataram que a Corte decidiu agir após avaliar que o caso havia ultrapassado a esfera individual do magistrado e passou a afetar a imagem institucional do tribunal, inclusive diante da repercussão pública sobre o salário de Marco Buzzi.

A decisão ocorreu apesar de um pedido prévio de licença médica apresentado pelo ministro, acompanhado de atestado psiquiátrico por 90 dias. Internamente, a iniciativa foi interpretada como uma tentativa de afastamento voluntário antes da deliberação do plenário, o que não impediu a votação unânime dos ministros presentes. Dos 33 integrantes do STJ, 27 participaram da sessão e votaram pelo afastamento, enquanto quatro se declararam impedidos por vínculos pessoais com o magistrado.

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Pressões públicas sobre o Judiciário brasileiro

Casos semelhantes no Judiciário mostram que esse modelo alimenta críticas e pressões recorrentes sobre pagamentos elevados e limites das punições. O salário de Marco Buzzi no STJ, ao ultrapassar R$ 260 mil em um único mês, reforça o debate público sobre transparência. Além disso, há discussão sobre controle das verbas indenizatórias e a distância entre as regras aplicadas à cúpula do Judiciário e a realidade do funcionalismo em geral.

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Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr. é jornalista e empreendedor, fundador do Sistema BNTI de Comunicação. Integra a equipe editorial do J1 News, com produção de conteúdos e análises voltadas às editorias de política, economia, negócios, tecnologia e temas de interesse público. Também atua editorialmente no Economic News Brasil e no Boa Notícia Brasil.

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