A investigação da Polícia Federal sobre aplicações de R$ 400 milhões no Banco Master levou, nesta quarta-feira (11/09), à renúncia do presidente da Amprev. Jocildo Lemos deixou o comando da Amapá Previdência após o fundo estadual virar alvo de apuração federal.
Em comunicado oficial, Lemos afirmou que se afasta para garantir independência às investigações. Segundo ele, todos os atos de sua gestão observaram a legalidade. Já a Polícia Federal sustenta, em relatório enviado à Justiça, que houve indícios de gestão “temerária e/ou fraudulenta”.
A renúncia do presidente da Amprev e o aporte no Master
O foco da investigação recai sobre aplicações realizadas em julho de 2024. Em menos de 20 dias, o fundo previdenciário do Amapá destinou R$ 400 milhões em Letras Financeiras do Banco Master, instituição ligada a Daniel Vorcaro e posteriormente liquidada pelo Banco Central.
De acordo com a Polícia Federal, três gestores teriam ignorado alertas internos sobre concentração de recursos, negativa anterior da Caixa à aquisição de títulos e registros de questionamentos em órgãos de controle. O relatório aponta que Lemos teria exercido liderança decisiva no processo.
Governança do regime próprio sob questionamento
Além disso, a investigação que levou a renúncia do até então presidente da Amprev, menciona falhas na análise de risco e ausência de exigência de documentação técnica complementar antes das aplicações. Segundo a PF, a decisão elevou a exposição do patrimônio dos segurados.
Em outro ponto, o pedido de busca e apreensão citou risco de ocultação de provas. A defesa de Lemos, porém, contesta as acusações e afirma que o gestor também foi prejudicado pelo Banco Master. Além disso, a Amprev informou ter obtido bloqueio judicial de pagamentos à instituição.
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Efeitos da renúncia do presidente da Amprev no sistema
A renúncia do presidente da Amprev atinge um regime que reúne cerca de 30 mil segurados e 2.100 beneficiários civis e militares. O sistema garante aposentadorias e pensões no estado do Amapá.
Em sua manifestação, Lemos declarou que o patrimônio da entidade cresceu 41% entre 2023 e 2025, assegurando pagamentos até 2059. A Polícia Federal, porém, avalia que a condução do investimento exige responsabilização individual, caso irregularidades sejam confirmadas.
A renúncia do presidente da Amprev, portanto, amplia o debate sobre governança, critérios técnicos e controle em regimes próprios de previdência. Além disso, o caso pressiona por revisão de protocolos de compliance, transparência decisória e limites de exposição a instituições financeiras sob questionamento regulatório.