Comércio bilateral entre Brasil e Reino Unido cresce 10,5% em 12 meses

O comércio entre Brasil e Reino Unido cresceu 10,5% em 12 meses e atingiu US$ 17,3 bilhões, com avanço de serviços britânicos e exportações industriais brasileiras. Continue lendo e saiba mais.
Imagem de IA representando comércio entre Brasil e Reino Unido em 2025
Corrente de comércio soma US$ 17,3 bilhões em 12 meses. (Foto: Ilustrativa)

O comércio entre Brasil e Reino Unido cresceu 10,5% no acumulado entre setembro de 2024 e setembro de 2025, somando receita de US$ 17,3 bilhões (cerca de R$ 89,96 bilhões) em exportação. Os dados constam no relatório Brazil–UK Trade and Investment Factsheet e mostram avanço tanto nas exportações britânicas quanto nas vendas brasileiras.

No período, o Reino Unido exportou cerca de US$ 10,4 bilhões (na cotação atual, R$ 54,08 bilhões) ao Brasil, enquanto o Brasil vendeu US$ 6,9 bilhões (R$ 35,88 bilhões) aos britânicos, alta de 13,3% em 12 meses. Como resultado, os britânicos mantiveram superavit estimado em US$ 3,5 bilhões (R$ 18,20 bilhões) na balança bilateral.

Comércio entre Brasil e Reino Unido ganha novo perfil

Segundo a Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham), o crescimento decorre da ampliação das exportações de serviços do Reino Unido e do aumento das compras britânicas de bens e serviços brasileiros. Além disso, a entidade avalia que houve maior diversificação da pauta comercial.

Os serviços responderam por pouco mais da metade do total exportado pelo Reino Unido e avançaram 10,9%. Destacaram-se serviços empresariais, serviços técnicos, serviços financeiros, além de transporte internacional e viagens corporativas. Já as exportações de bens britânicos cresceram 6,5%.

Balança bilateral e setores em expansão

Do lado brasileiro, as exportações foram puxadas principalmente pelos bens, que cresceram 15,4%. Houve aumento nas vendas de bebidas e tabaco, carnes bovinas, suínas e de ave e produtos cárneos, além de máquinas e equipamentos industriais intermediários, reforçando a presença da indústria nacional no mercado britânico.

As exportações brasileiras de serviços também avançaram 9,2%, contribuindo para a expansão da corrente comercial. Ainda assim, o peso dos serviços britânicos explica o saldo favorável ao Reino Unido na balança comercial bilateral.

O presidente da Britcham, Fabio Caldas, afirma que o avanço indica mudança na composição das trocas. Segundo ele:

“Esse crescimento consistente reflete uma mudança importante na relação entre os dois países. O comércio deixou de ser focado apenas em bens tradicionais e passou a incorporar cada vez mais serviços, que têm maior valor agregado e criam vínculos mais duradouros entre as empresas brasileiras e britânicas”

Comércio entre Brasil e Reino Unido e investimentos cruzados

Além das trocas comerciais, houve avanço nos estoques de investimento direto entre os dois países. Segundo a Britcham, isso demonstra maior compromisso empresarial de longo prazo, sobretudo em setores de alto valor agregado e integração produtiva.

Embora o Brasil ocupe apenas a 26ª posição entre os parceiros comerciais do Reino Unido, o ritmo recente sugere intensificação das relações econômicas. Se mantida essa trajetória, o comércio entre Brasil e Reino Unido tende a consolidar uma relação menos concentrada em produtos básicos e mais ancorada em serviços especializados e cadeias industriais complexas.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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