Baixas da guerra comercial: Pedidos de falência de agricultores avançam 46% nos EUA

A falência de agricultores EUA subiu 46% em 2025, com 315 pedidos e dívida recorde projetada para 2026, pressionando grãos, pecuária e exportações agrícolas. Continue lendo e saiba mais.
Imagem de plantio ilustrando falência de agricultores EUA em meio a crise no campo
Alta nos pedidos de recuperação rural atinge regiões produtoras de grãos e pecuária nos Estados Unidos. (Foto: Reprodução)

A falência de agricultores nos EUA avançou 46% em 2025, segundo dados divulgados pela American Farm Bureau Federation (AFBF). Ao todo, foram 315 pedidos registrados no ano, número superior ao de 2024 e concentrado nas regiões mais dependentes de grãos e pecuária.

Além disso, a entidade afirma que o aumento reflete pressão financeira prolongada no campo, sem perspectiva de melhora no curto prazo. A regra usada nesses casos é o chamado Capítulo 12, mecanismo específico para produtores familiares que comprovem que a maior parte das dívidas está ligada à atividade rural.

Falência de agricultores nos EUA atinge Meio-Oeste e Sudeste

O avanço da falência de agricultores nos EUA não ocorreu de forma homogênea. No Meio-Oeste, os pedidos cresceram 70%, enquanto no Sudeste o aumento foi de 69%. As duas regiões concentram culturas como milho, soja, trigo e amendoim, que acumulam perdas após anos de queda nas receitas e alta nos custos.

Segundo Samantha Ayoub, economista da AFBF, “são esperadas perdas significativas no setor de grãos por mais um ano, e vários segmentos da pecuária também operam com margens mais apertadas”. Ela afirma que perdas profundas nessas regiões se acumulam após sucessivas reduções de renda e encarecimento de fertilizantes, sementes e mão de obra.

Endividamento rural e crédito pressionam o campo

O aumento dos pedidos de falência entre agricultores ocorre em paralelo à expansão do crédito para custear despesas correntes nos EUA. Somente no quarto trimestre de 2025, os empréstimos cresceram 40% frente ao mesmo período de 2024, conforme a associação.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que a dívida agrícola total alcance US$ 624,7 bilhões em 2026. Tratando-se, portanto, de uma alta de 5,2% e novo recorde. A AFBF afirma que os produtores estão usando grande parte dos recursos para cobrir custos operacionais, e não para ampliar investimento ou produtividade.

Falência de agricultores nos EUA expõe fragilidade estrutural frente à guerra comercial de Trump

A deterioração financeira ocorre também em meio à queda das exportações agrícolas, sobretudo de soja, após tarifaço implementado pelo governo norte-americano a diversos países, que desencadeou reações de parceiros comerciais, especialmente da China.

Shawn Arita, diretor associado do Agricultural Risk Policy Center da North Dakota State University, estimou em dezembro perdas entre US$ 35 bilhões e US$ 44 bilhões nas nove principais commodities do país. Na pecuária, o rebanho bovino caiu ao menor nível desde 1951, segundo o USDA, após anos de seca no oeste e elevação do custo de alimentação.

Diante desse cenário, o governo americano anunciou em dezembro de 2025 um pacote de US$ 11 bilhões para apoiar produtores na compra de insumos. Ainda assim, a trajetória recente indica que a falência de agricultores nos EUA passou a refletir um ciclo de endividamento crescente e margens comprimidas. E, além de tudo, menor capacidade de absorver choques externos provocados por conflitos comerciais.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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