Correios iniciam nova etapa do plano financeiro com leilão de imóveis em 11 estados

O leilão de imóveis dos Correios inicia a venda de 21 propriedades em 11 estados e integra plano para enfrentar déficit bilionário e patrimônio líquido negativo da estatal. Continue lendo e saiba mais.
leilão de imóveis dos Correios em plano de reestruturação
Estatal coloca 21 imóveis à venda como parte do plano de reestruturação financeira. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

O leilão de imóveis dos Correios começou nesta quinta-feira (12/02) com a oferta inicial de 21 propriedades em 11 estados. A venda marca a primeira etapa concreta do plano de reestruturação financeira da estatal, que enfrenta déficit estrutural bilionário e patrimônio líquido negativo.

Segundo a empresa, os imóveis foram classificados como ociosos e não comprometem a operação. Além disso, em nota oficial, os Correios afirmaram que a venda “não traz qualquer impacto à prestação de serviços à população”.

Leilão de imóveis dos Correios integra plano de ajuste

A estatal selecionou terrenos, prédios administrativos, galpões, lojas e apartamentos funcionais. Os lances iniciais variam de R$ 19 mil a R$ 11 milhões, sob a modalidade de lances sucessivos, com redução imediata do valor caso não haja proposta inicial. Ceará concentra grande parte, com sete imóveis para leilão.

De acordo com a direção da empresa, a expectativa é arrecadar até R$ 1,5 bilhão com o leilão de imóveis e reduzir custos de manutenção dos Correios. O pagamento poderá ser feito em até 60 dias após a arrematação, conforme edital.

O evento será totalmente digital e ocorrerá às 14h do dia 26 de fevereiro, horário de Brasília. Pessoas físicas e jurídicas podem participar mediante cadastro prévio na plataforma da Vip Leilões.

Venda de ativos da estatal ocorre em meio à crise fiscal

A alienação de propriedades ocorre enquanto os Correios acumulam déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões por ano. Até setembro de 2025, o prejuízo acumulado alcançava R$ 6,057 bilhões, além de patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões.

Em dezembro, a estatal anunciou a captação de R$ 12 bilhões em crédito para financiar medidas emergenciais. Além disso, o plano inclui o fechamento de mil agências e um Plano de Desligamento Voluntário (PDV) com expectativa de adesão de até 15 mil empregados.

Apesar do leilão de imóveis, a infraestrutura dos Correios permanece ampla. A empresa mantém mais de 10.350 unidades de atendimento e 1,1 mil centros de distribuição e tratamento em todo o país.

Leilão de imóveis dos Correios e próximos passos

Ainda neste primeiro semestre, a estatal prepara novos leilões de bens classificados como ociosos. A estratégia combina venda de ativos, captação de crédito e redução de despesas administrativas.

O leilão de imóveis dos Correios funciona, portanto, como termômetro da capacidade da empresa de transformar patrimônio imobiliário em liquidez imediata. O resultado da operação poderá indicar se o plano financeiro conseguirá estabilizar as contas sem comprometer a rede nacional de atendimento.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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