Câmara considera ajustes no projeto de regulação dos trabalhos por aplicativo

A regulação trabalho por aplicativo entra em revisão na Câmara após pressão de empresas e governo. Texto pode mudar definição jurídica de motoristas e entregadores. Continue lendo e saiba mais.
debate sobre regulação trabalho por aplicativo na Câmara
Parlamentares discutem ajustes no projeto que define regras para motoristas e entregadores por aplicativo. (Foto: Repropdução)

A Câmara dos Deputados pode propor uma revisão no projeto de lei 152/25, que propõe a regulação do trabalho por aplicativo, após parlamentares iniciarem conversas para alterar o parecer do relator, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE). O ponto mais sensível, e que estaria aberto a revisão, é a ausência de definição explícita de motoristas e entregadores como autônomos, tema que mobiliza empresas e governo.

No caso, o texto cria a figura do “trabalhador plataformizado”, reconhecendo formalmente a natureza não subordinada da atividade. Ainda assim, representantes de aplicativos avaliam que a redação atual pode abrir margem para decisões judiciais que reconheçam vínculo empregatício, mantendo, assim, a insegurança jurídica.

Impasses na regulação do trabalho por aplicativo

Empresas afirmam que a falta de enquadramento direto como autônomo pode alimentar litígios trabalhistas em diferentes tribunais. Segundo representantes do setor, a redação aproxima os profissionais de categorias previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), especialmente ao classificá-los como “categoria profissional diferenciada”.

Além disso, a atual regulação do trabalho por aplicativo estabelece taxa mínima de remuneração e trata de aspectos tributários que, na avaliação das plataformas, elevam o custo operacional. Essas empresas defendem que eventual aumento de encargos pode resultar em repasse ao consumidor e restringir o acesso ao serviço.

Debate sobre vínculo e autonomia

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, declarou ser favorável ao reconhecimento dos trabalhadores como autônomos, “mas com direitos”. A posição indica que o governo busca ampliar a proteção social, incluindo contribuições ao INSS. Além de regras de cobertura previdenciária, sem, inclusive, equiparar a atividade ao regime celetista tradicional.

Por outro lado, parlamentares discutem ajustes no texto para reduzir ambiguidades. Integrantes da Câmara afirmam que já iniciaram conversas para calibrar a redação e evitar interpretações divergentes nos tribunais regionais do trabalho, que hoje apresentam decisões distintas sobre o tema.

Regulação do trabalho por aplicativo e disputa política

O aumento da remuneração mínima é uma das principais demandas de entregadores e motoristas. A categoria pressiona por garantias mais claras em relação a previdência, seguro contra acidentes e estabilidade de ganhos.

No entanto, qualquer alteração na regulação do trabalho por aplicativo enfrenta tensão política. O governo demonstra interesse em fortalecer o diálogo com esses trabalhadores em ano eleitoral, enquanto empresas pedem previsibilidade regulatória. O desfecho das negociações na Câmara indicará até que ponto o Congresso priorizará segurança jurídica ou ampliação de direitos nesse novo arranjo do mercado digital.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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