A decisão do Kremlin de retirar o WhatsApp do ambiente digital do foi oficializada nesta quinta-feira (12/02), quando o governo confirmou que a Rússia bloqueou o WhatsApp após meses de pressão regulatória. O porta-voz Dmitry Peskov afirmou que a medida ocorreu devido à “relutância do WhatsApp em cumprir as normas e a letra da lei russa”. A plataforma, que pertence à Meta, estima ter cerca de 100 milhões de usuários no país.
Na quarta-feira (11/02), o WhatsApp declarou que o governo russo tentou bloquear completamente o serviço. A empresa classificou a ação como um “retrocesso” e afirmou que segue tentando manter os usuários conectados, enquanto acusa Moscou de direcionar a população a um aplicativo estatal.
Rússia bloqueia WhatsApp e amplia pressão regulatória
O bloqueio ocorre sob o argumento de que o aplicativo não armazena dados de usuários russos em território nacional, como exige a legislação local. A agência reguladora Roskomnadzor já havia emitido alertas reiterados à empresa. Além disso, desde 2022, a Meta é classificada pelas autoridades russas como organização extremista.
Domínios ligados ao aplicativo desapareceram do registro nacional, o que interrompe a resolução de endereços IP dentro da Rússia. Na prática, o acesso passou a depender de VPN, tecnologia já utilizada para contornar restrições impostas a Instagram e Facebook, também suspensos no país.
Controle digital e soberania tecnológica
O bloqueio se conecta à promoção do Max, um aplicativo estatal descrito pelas autoridades como “mensageiro nacional”. Desenvolvido com participação da VKontakte (VK), o sistema integra mensagens instantâneas e serviços governamentais, mas não possui criptografia ponta a ponta, segundo críticos.
Desde 2025, as autoridades russas obrigam fabricantes e varejistas a incluir o Max pré-instalado em todos os novos dispositivos vendidos no país. O governo também obriga servidores públicos, professores e estudantes a utilizar a plataforma. O Kremlin nega que a ferramenta funcione como mecanismo de vigilância e afirma que a proposta busca fortalecer a infraestrutura digital doméstica.
Rússia bloqueia WhatsApp em meio à guerra informacional
O episódio ocorre enquanto Moscou amplia o controle sobre o ambiente online, em contexto de guerra na Ucrânia. O Telegram, que mantém forte presença no país, também enfrenta restrições parciais, incluindo limitações em chamadas de voz. Seu fundador, Pavel Durov, declarou que restringir plataformas não garante segurança e comparou a situação à tentativa frustrada do Irã de banir o aplicativo.
Reportagem do Financial Times indicou que a retirada do WhatsApp de diretórios digitais russos sugere suspensão prolongada, possivelmente até 2026, segundo a agência estatal Tass. O governo propõe o Max como alternativa oficial.
Ao consolidar o bloqueio, a Rússia bloqueia WhatsApp e aprofunda uma estratégia de soberania digital, na qual empresas estrangeiras precisam se submeter integralmente às leis locais ou deixam de operar. O desfecho reposiciona o país no debate global sobre proteção de dados, censura online e controle estatal das comunicações privadas.