As tarifas de Donald Trump contra o Canadá sofreram um revés nesta quarta-feira (11), quando a Câmara dos EUA aprovou, por 219 votos a 211, uma resolução que suspende o instrumento usado pelo presidente para justificar as medidas comerciais. O texto agora segue para o Senado.
Na prática, deputados decidiram impedir que Trump continue utilizando o mecanismo de “emergência nacional” para sustentar as tarifas. A votação expôs divisão dentro do próprio Partido Republicano, que tem maioria na Casa, mas não conseguiu impedir a aprovação da proposta.
O que muda nas tarifas de Trump contra o Canadá
A chamada emergência nacional é um recurso previsto na legislação americana que permite ao presidente adotar medidas extraordinárias diante de ameaças consideradas graves ao país. Portanto, ao declarar essa condição, o Executivo ganha poderes ampliados para agir sem autorização prévia do Congresso.
O presidente Donald Trump utilizou esse instrumento para impor tarifas de importação a produtos canadenses, argumentando que a situação afetava a segurança nacional dos Estados Unidos. Com a aprovação da resolução, a Câmara retira essa justificativa legal, embora as tarifas de Trump contra o Canadá não sejam automaticamente anuladas.
Parlamentares que apoiaram o texto afirmaram que o uso da emergência nacional extrapolou o objetivo original da lei. Para eles, decisões de política comercial com impacto internacional devem passar por maior controle do Legislativo.
O que acontece agora no Congresso
O projeto segue para o Senado dos EUA, onde pode enfrentar nova disputa apertada. Mesmo que seja aprovado, Trump poderá aplicar veto presidencial, o que obrigaria o Congresso a reunir maioria qualificada para derrubá-lo, algo, portanto, considerado difícil no cenário atual.
Por isso, embora a votação represente uma derrota política relevante para o presidente, ainda não há garantia de que a medida entrará em vigor.
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Reação política às tarifas de Trump contra o Canadá
Após a votação, Trump reagiu nas redes sociais. Ele afirmou na Truth Social, sua rede social, que parlamentares republicanos que votarem contra sua política tarifária enfrentarão “sérias consequências” nas próximas eleições primárias.

Trump impôs as tarifas ao Canadá em 2025, quando determinou uma taxa adicional de 35% sobre a maioria dos produtos canadenses e de 10% sobre itens energéticos, com base em uma declaração de emergência nacional. Além disso, o presidente declarou que as tarifas reduziram o déficit comercial em 78% e ajudaram a impulsionar as bolsas americanas. E afirmou, inclusive, que as medidas reforçaram a segurança econômica do país.
Ao acusar o Canadá de se aproveitar das relações comerciais “há muitos anos”, Trump manteve o tom de confronto. Agora, o debate sobre as tarifas de Trump contra o Canadá passa ao Senado, onde o embate envolve não apenas comércio bilateral, mas também os limites do poder presidencial nos Estados Unidos.