Filha de Kim Jong Un é escolhida como futura sucessora

A Filha de Kim Jong Un entra na fase de nomeação interna como sucessora, segundo a inteligência sul-coreana, às vésperas do congresso do partido. Regime pode preparar quarta geração no poder.
Filha de Kim Jong Un ao lado do líder norte-coreano durante evento oficial do Partido dos Trabalhadores
A filha de Kim Jong Un acompanha o líder norte-coreano em cerimônia pública, em meio a sinais de consolidação da sucessão dinástica. Foto: Associated Press

A Filha de Kim Jong Un está na “fase de nomeação interna” como sucessora, segundo avaliação apresentada pela Agência Nacional de Inteligência da Coreia do Sul (NIS) na quinta-feira (12/02). A mudança de classificação foi relatada a parlamentares em reunião fechada e ocorre às vésperas do congresso do Partido dos Trabalhadores, previsto para o fim de fevereiro.

Até então, a inteligência sul-coreana descrevia Kim Ju Ae como “em estudo” para a sucessão. Agora, segundo o deputado Lee Seong-kweun, a NIS passou a usar o termo “estágio de herdeira aparente designada”. A alteração semântica indica avanço interno no processo dinástico.

Filha de Kim Jong Un e o congresso partidário

O nono Congresso do Partido dos Trabalhadores deve estabelecer diretrizes para economia, defesa e relações exteriores pelos próximos cinco anos. Nesse contexto, a presença ou ausência da filha do líder diante dos delegados pode sinalizar o grau de formalização da transição.

A NIS monitora se ela assumirá algum cargo oficial. Analistas apontam que, mesmo sem nomeação imediata, o evento pode reforçar uma narrativa sucessória. Koh Yu-hwan afirmou que, caso o partido destaque o “legado revolucionário” da família, isso poderá indicar consolidação da herdeira.

Ascensão pública da herdeira norte-coreana

A jovem apareceu pela primeira vez em novembro de 2022, durante um teste de míssil balístico intercontinental (ICBM). Desde então, acompanha o pai em inspeções militares, desfiles e inaugurações industriais. Em setembro, esteve em viagem à China ao lado de Xi Jinping.

Segundo Lee Seong-kweun e Park Sun-won, com base no briefing da NIS, a adolescente já participa de discussões e seria tratada como segunda líder de facto. Essa leitura exige atribuição formal à inteligência sul-coreana.

A simbologia também ganhou peso quando ela visitou o Palácio do Sol de Kumsusan, onde estão os corpos embalsamados de Kim Il Sung e Kim Jong Il. Especialistas interpretaram o gesto como apresentação institucional à linhagem da dinastia Kim.

Filha de Kim Jong Un e a quarta geração

Desde 1948, o regime permanece sob controle masculino da família. Caso confirmada, a transição abriria espaço para a quarta geração no poder e a primeira liderança feminina do país.

A sucessão ocorre enquanto Kim Jong Un conduz projetos estratégicos, como o desenvolvimento de um submarino de 8.700 toneladas com capacidade estimada para até 10 mísseis balísticos lançados por submarino (SLBM). Parlamentares afirmaram que ainda não há confirmação sobre propulsão nuclear.

A consolidação da filha de Kim Jong Un como herdeira alteraria o cálculo diplomático de Seul, Pequim e Washington, além de reforçar a continuidade da arquitetura autoritária do regime. O congresso do partido, portanto, pode redefinir os contornos da sucessão na Coreia do Norte.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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