Após quase 30 anos, corpos dos Mamonas Assassinas serão exumados

Corpos dos Mamonas Assassinas serão exumados em Guarulhos para cremação. Cinzas darão origem a cinco árvores em memorial ambiental quase 30 anos após o acidente aéreo de 1996.
corpos dos Mamonas Assassinas em registro histórico da banda nos anos 1990
Integrantes dos Mamonas Assassinas durante apresentação no auge do sucesso, meses antes do acidente aéreo de 1996. Foto: Marco Antônio Teixeira/Agência O GLOBO

Os corpos dos Mamonas Assassinas serão exumados na próxima segunda-feira (23/02), quase três décadas após o acidente aéreo que interrompeu a trajetória da banda. A decisão das famílias prevê a cremação e a transformação das cinzas em adubo para o plantio de cinco árvores em Guarulhos, cidade onde os músicos viviam.

O jornal O Globo, por meio do colunista Ancelmo Gois, publicou a informação, e o Splash, do UOL, confirmou os detalhes. O BioParque Cemitério de Guarulhos sediará o memorial ambiental. O projeto altera o destino do túmulo coletivo onde estavam sepultados desde 1996. A escolha, contudo, envolve um modelo funerário pouco usual no país.

Corpos dos Mamonas Assassinas serão exumados para memorial ambiental em Guarulhos

Após a cremação, a equipe colocará as cinzas em urna biodegradável desenvolvida para permitir a germinação de uma espécie arbórea. As famílias poderão optar por ipê amarelo, jacarandá ou sibipiruna. A muda passará por um Centro de Incubação antes do plantio definitivo no espaço do BioParque.

O BioParque informou que monitorará continuamente a árvore. Além disso, o memorial contará com uma plataforma digital que permitirá associar fotos, mensagens e registros históricos à homenagem física. Para além da cerimônia, o formato cria uma nova forma de preservação de memória coletiva.

Empresário classifica projeto como inovador

Jorge Santana, empresário do grupo e responsável pela marca, afirmou ao Splash: “Estamos num projeto do Bioparque, algo inovador. Teremos um memorial onde eles vão virar árvores”. A declaração reforça o caráter simbólico da iniciativa.

O procedimento ocorre no mesmo município que recebeu o velório da banda, em março de 1996. Na ocasião, cerca de 30 mil pessoas passaram pelo Ginásio Municipal Paschoal Thomeu, e mais de 100 mil acompanharam o cortejo até o cemitério. O enterro reuniu aproximadamente 500 pessoas. A investigação, contudo, sempre manteve o foco técnico sobre a queda do Learjet 25D, prefixo PT-LSD, na Serra da Cantareira.

Fenômeno comercial interrompido no auge

Os cinco integrantes morreram em 2 de março de 1996, ao retornar de um show em Brasília. Também faleceram o piloto, o copiloto, um segurança e um auxiliar. Meses antes, o único álbum da banda, lançado em junho de 1995, havia alcançado 1,8 milhão de cópias. Até hoje, soma 3 milhões de unidades, entre os maiores desempenhos da música nacional.

A decisão das famílias de exumar os corpos dos integrantes da banda acompanha uma tendência crescente no setor funerário brasileiro, que amplia a oferta de soluções ambientais e digitaliza registros de homenagem. Ao transformar restos mortais em árvores, o caso desloca o luto do espaço fechado do cemitério tradicional para um símbolo vivo e público, reposicionando a memória do grupo no tempo presente.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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