Os corpos dos Mamonas Assassinas serão exumados na próxima segunda-feira (23/02), quase três décadas após o acidente aéreo que interrompeu a trajetória da banda. A decisão das famílias prevê a cremação e a transformação das cinzas em adubo para o plantio de cinco árvores em Guarulhos, cidade onde os músicos viviam.
O jornal O Globo, por meio do colunista Ancelmo Gois, publicou a informação, e o Splash, do UOL, confirmou os detalhes. O BioParque Cemitério de Guarulhos sediará o memorial ambiental. O projeto altera o destino do túmulo coletivo onde estavam sepultados desde 1996. A escolha, contudo, envolve um modelo funerário pouco usual no país.
Corpos dos Mamonas Assassinas serão exumados para memorial ambiental em Guarulhos
Após a cremação, a equipe colocará as cinzas em urna biodegradável desenvolvida para permitir a germinação de uma espécie arbórea. As famílias poderão optar por ipê amarelo, jacarandá ou sibipiruna. A muda passará por um Centro de Incubação antes do plantio definitivo no espaço do BioParque.
O BioParque informou que monitorará continuamente a árvore. Além disso, o memorial contará com uma plataforma digital que permitirá associar fotos, mensagens e registros históricos à homenagem física. Para além da cerimônia, o formato cria uma nova forma de preservação de memória coletiva.
Empresário classifica projeto como inovador
Jorge Santana, empresário do grupo e responsável pela marca, afirmou ao Splash: “Estamos num projeto do Bioparque, algo inovador. Teremos um memorial onde eles vão virar árvores”. A declaração reforça o caráter simbólico da iniciativa.
O procedimento ocorre no mesmo município que recebeu o velório da banda, em março de 1996. Na ocasião, cerca de 30 mil pessoas passaram pelo Ginásio Municipal Paschoal Thomeu, e mais de 100 mil acompanharam o cortejo até o cemitério. O enterro reuniu aproximadamente 500 pessoas. A investigação, contudo, sempre manteve o foco técnico sobre a queda do Learjet 25D, prefixo PT-LSD, na Serra da Cantareira.
Fenômeno comercial interrompido no auge
Os cinco integrantes morreram em 2 de março de 1996, ao retornar de um show em Brasília. Também faleceram o piloto, o copiloto, um segurança e um auxiliar. Meses antes, o único álbum da banda, lançado em junho de 1995, havia alcançado 1,8 milhão de cópias. Até hoje, soma 3 milhões de unidades, entre os maiores desempenhos da música nacional.
A decisão das famílias de exumar os corpos dos integrantes da banda acompanha uma tendência crescente no setor funerário brasileiro, que amplia a oferta de soluções ambientais e digitaliza registros de homenagem. Ao transformar restos mortais em árvores, o caso desloca o luto do espaço fechado do cemitério tradicional para um símbolo vivo e público, reposicionando a memória do grupo no tempo presente.