CPI do Crime Organizado volta pós-carnaval e inclui diretor da Meta e ministros do STF

A CPI do Crime Organizado retorna pós-Carnaval com agenda ampliada: quer ouvir diretor da Meta sobre anúncios ligados a golpes e analisa convites a ministros do STF no contexto do caso Banco Master. O foco combina crime financeiro, ambiente digital e tensão institucional.
Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão que marca a retomada da CPI do Crime Organizado após o Carnaval
Deputados se reúnem no plenário da Câmara na retomada dos trabalhos da CPI do Crime Organizado após o Carnaval. Foto: Reprodução

A Comissão parlamentar de inquérito (CPI) do Crime Organizado retorna pós-Carnaval com uma agenda que amplia sua linha investigativa: o colegiado quer ouvir o diretor da Meta no Brasil e analisa convites aos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A sessão marcada para quarta-feira (25/02) recoloca a comissão no centro das discussões sobre crime financeiro, plataformas digitais e conexões institucionais.

Na terça-feira (24/02), os senadores devem ouvir Conrado Leister, responsável pela operação da Meta Brasil. O depoimento foi solicitado pelo relator Alessandro Vieira, que aponta possível uso de plataformas digitais como meio de financiamento ilícito e lavagem de capitais. Documentos citados pela imprensa indicam que a empresa teria faturado cerca de US$ 16 bilhões em 2024 com anúncios associados a golpes e produtos proibidos, o que representaria aproximadamente 10% da receita anual. A investigação, contudo, avança também sobre outra frente sensível.

CPI do Crime Organizado: convites ao STF entram na pauta

A CPI do Crime Organizado deve analisar convites aos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes para prestar esclarecimentos sobre possíveis conexões indiretas com o caso do Banco Master. Parlamentares também protocolaram pedidos de convocação de executivos da instituição, incluindo Daniel Vorcaro.

Entre os pontos sob análise está contrato firmado entre o banco e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes. O caso ganhou novo capítulo após a substituição de Toffoli na relatoria no STF, agora sob responsabilidade de André Mendonça. Para além do aspecto jurídico, o debate expõe a interseção entre instituições financeiras, decisões judiciais e apuração parlamentar.

Banco Central e encontro fora da agenda

O retorno da CPI do Crime Organizado inclui ainda a possibilidade de ouvir o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Em novembro, a autoridade monetária decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.

Parlamentares querem esclarecimentos sobre reunião realizada fora da agenda oficial entre Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em dezembro de 2024. O encontro contou com a presença de Rui Costa e Guido Mantega. A comissão busca entender se houve convergência entre decisões regulatórias e interesses privados.

Facções e o braço armado

Na quarta-feira (25/02), os senadores também devem ouvir Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias. Ele foi preso em setembro do ano passado, acusado de intermediar compra e venda de armas para o Comando Vermelho.

O depoimento conecta a vertente financeira ao núcleo operacional das facções criminosas. A comissão tenta integrar dados sobre fluxo de recursos, circulação de armamentos e eventual uso de anúncios patrocinados como fonte indireta de receita.

A nova fase da CPI do Crime Organizado indica uma ampliação estrutural do escopo: da investigação sobre milícias e facções para uma análise que alcança Big Techs, Banco Central, STF e redes empresariais. Ao retomar os trabalhos após o Carnaval com essa agenda ampliada, o Senado sinaliza que a disputa institucional pode avançar para além da esfera criminal e atingir o desenho regulatório do ambiente digital e financeiro no país.

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Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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