Lula elogia “cautela” do Brasil nas negociações com Trump após reviravolta nas tarifas

Lula elogia cautela do Brasil ao afirmar que o país acertou ao não acelerar negociações com Trump. Reviravolta judicial e aumento das tarifas para 15% alteram cenário antes de reunião bilateral em março.
Lula elogia cautela Brasil em reunião com Trump sobre tarifas
Lula e Donald Trump durante encontro bilateral; presidente brasileiro afirmou que o país agiu com cautela nas negociações tarifárias. Foto: Andrew Caballero-Reynolds/AFP

O presidente Lula elogia a cautela do Brasil ao afirmar, na madrugada deste domingo (22/02), à imprensa em Nova Délhi, que o governo acertou ao não acelerar as negociações comerciais com Donald Trump antes da definição do impasse jurídico nos Estados Unidos, após a Suprema Corte dos Estados Unidos concluir que o presidente americano extrapolou sua autoridade ao impor tarifas amplas sobre importações.

Mesmo diante da contestação judicial, Trump anunciou aumento das tarifas globais de 10% para 15%. Lula disse que o Brasil agiu com prudência e evitou precipitação. “Tomamos as decisões corretas”, afirmou, ao sustentar que parte das medidas já havia sido revista pelo próprio governo americano. A avaliação interna é que fechar um acordo antes poderia obrigar o país a renegociar termos em cenário ainda instável.

Lula elogia cautela do Brasil e diz que estratégia foi esperar definição institucional nos EUA

O presidente declarou que não cabe ao Brasil julgar decisões da Justiça americana, mas indicou que a reviravolta confirmou a linha adotada por Brasília. Integrantes da comitiva avaliaram que alguns países concluíram tratativas sob condições que agora podem ser revistas.

A estratégia brasileira concentrou interlocução direta entre chefes de Estado. Lula relatou ter conversado ao menos três vezes por telefone com Trump. Segundo ele, o avanço das tratativas depende desse canal direto, diante de resistência identificada em setores da diplomacia americana.

Reunião em março amplia pauta além das tarifas

O encontro previsto para março, na Casa Branca, deve tratar não apenas de política comercial, mas também de cooperação internacional em segurança. Lula afirmou que levará representantes da Receita Federal, da Polícia Federal, do Ministério da Justiça e da Fazenda.

O objetivo é estruturar ações conjuntas contra narcotráfico, tráfico de armas e lavagem de dinheiro, com interlocução com FBI, CIA e o Departamento de Justiça. “Eu não quero recebê-los. Eu quero prendê-los”, declarou, ao defender que investigados por crimes no Brasil respondam à Justiça.

Disputa institucional nos EUA molda ambiente comercial

A tensão entre Executivo e Judiciário nos Estados Unidos alterou o ambiente de comércio exterior e gerou incerteza nas negociações bilaterais. Lula afirmou que deseja tratar “todos os temas na mesa” e disse que a relação voltou ao padrão “civilizada e respeitosa”.

No cenário atual, Lula elogia cautela do Brasil como cálculo diplomático diante de um contexto tarifário volátil. A reunião de março poderá redefinir não apenas alíquotas, mas o padrão de interlocução entre duas economias que operam sob pressão institucional e disputa comercial crescente.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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