O Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (23/02) mostrou nova redução nas expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, medidor oficial da inflação, que caiu de 3,95% para 3,91%, acumulando sete semanas consecutivas de recuo. O dado do Banco Central reforça a leitura de desaceleração gradual nas projeções de inflação captadas pelo Banco Central.
Além disso, as estimativas para a taxa Selic em 2026 recuaram para 12,13% ao ano, enquanto o câmbio esperado caiu para R$ 5,45. O conjunto indica ajuste nas apostas do mercado para juros e dólar, ainda que o crescimento permaneça moderado.
Relatório Focus e a trajetória da inflação
A mediana para o IPCA de 2027 permaneceu em 3,80%, estável há 16 semanas, enquanto 2028 e 2029 seguem projetados em 3,50%. A sequência sugere ancoragem das expectativas em horizontes mais longos, alinhadas ao regime de metas de inflação.
No curto prazo, segundo o Relatório Focus, as estimativas mensais também recuaram. Para fevereiro de 2026, o IPCA passou de 0,50% para 0,45%. Março ficou em 0,33% e abril em 0,39%. A leitura de inflação acumulada em 12 meses suavizada aparece em 3,95%, sinalizando acomodação gradual.
Juros, câmbio e atividade econômica
De acordo com o Relatório Focus, a projeção da taxa Selic para 2026 caiu de 12,25% para 12,13%. Para 2027, a estimativa segue em 10,50%, enquanto 2028 e 2029 permanecem em 10,00% e 9,50%, respectivamente. O ajuste ocorre em paralelo à revisão para baixo das pressões inflacionárias.
No câmbio, a mediana para 2026 recuou para R$ 5,45 por dólar. Já o PIB de 2026 subiu levemente para 1,82%, ante 1,80% na semana anterior. A combinação de inflação em queda com crescimento moderado sustenta cenário de transição para condições monetárias menos restritivas.
Relatório Focus e o quadro fiscal
No campo fiscal, a projeção para a dívida líquida do setor público caiu para 70,00% do PIB em 2026. O resultado primário segue estimado em -0,50% do PIB, enquanto o resultado nominal ficou em -8,58%. A leve melhora na dívida decorre de ajustes nas premissas macroeconômicas.
No setor externo, a balança comercial de 2026 passou para US$ 68,38 bilhões, e o investimento direto no país permaneceu em US$ 75 bilhões. A conta corrente segue negativa em US$ 67,70 bilhões, dentro do padrão recente de financiamento externo.
A leitura consolidada do Relatório Focus indica recalibração gradual das expectativas para inflação, juros e câmbio. Se a tendência se mantiver nas próximas semanas, o Relatório Focus pode consolidar novo patamar de projeções para 2026, influenciando decisões de política monetária e planejamento corporativo.