Relatório Focus: inflação recua pela sétima semana consecutiva

O Relatório Focus reduziu o IPCA de 2026 para 3,91% e ajustou projeções de Selic, câmbio e dívida pública. Veja os principais números e o que muda nas expectativas.
Relatório Focus com projeções de IPCA 2026 e Selic
Prédio do Banco Central em Brasília, que divulgada semanalmente o Relatório Focus com projeções do mercado. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

O Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (23/02) mostrou nova redução nas expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, medidor oficial da inflação, que caiu de 3,95% para 3,91%, acumulando sete semanas consecutivas de recuo. O dado do Banco Central reforça a leitura de desaceleração gradual nas projeções de inflação captadas pelo Banco Central.

Além disso, as estimativas para a taxa Selic em 2026 recuaram para 12,13% ao ano, enquanto o câmbio esperado caiu para R$ 5,45. O conjunto indica ajuste nas apostas do mercado para juros e dólar, ainda que o crescimento permaneça moderado.

Relatório Focus e a trajetória da inflação

A mediana para o IPCA de 2027 permaneceu em 3,80%, estável há 16 semanas, enquanto 2028 e 2029 seguem projetados em 3,50%. A sequência sugere ancoragem das expectativas em horizontes mais longos, alinhadas ao regime de metas de inflação.

No curto prazo, segundo o Relatório Focus, as estimativas mensais também recuaram. Para fevereiro de 2026, o IPCA passou de 0,50% para 0,45%. Março ficou em 0,33% e abril em 0,39%. A leitura de inflação acumulada em 12 meses suavizada aparece em 3,95%, sinalizando acomodação gradual.

Juros, câmbio e atividade econômica

De acordo com o Relatório Focus, a projeção da taxa Selic para 2026 caiu de 12,25% para 12,13%. Para 2027, a estimativa segue em 10,50%, enquanto 2028 e 2029 permanecem em 10,00% e 9,50%, respectivamente. O ajuste ocorre em paralelo à revisão para baixo das pressões inflacionárias.

No câmbio, a mediana para 2026 recuou para R$ 5,45 por dólar. Já o PIB de 2026 subiu levemente para 1,82%, ante 1,80% na semana anterior. A combinação de inflação em queda com crescimento moderado sustenta cenário de transição para condições monetárias menos restritivas.

Relatório Focus e o quadro fiscal

No campo fiscal, a projeção para a dívida líquida do setor público caiu para 70,00% do PIB em 2026. O resultado primário segue estimado em -0,50% do PIB, enquanto o resultado nominal ficou em -8,58%. A leve melhora na dívida decorre de ajustes nas premissas macroeconômicas.

No setor externo, a balança comercial de 2026 passou para US$ 68,38 bilhões, e o investimento direto no país permaneceu em US$ 75 bilhões. A conta corrente segue negativa em US$ 67,70 bilhões, dentro do padrão recente de financiamento externo.

A leitura consolidada do Relatório Focus indica recalibração gradual das expectativas para inflação, juros e câmbio. Se a tendência se mantiver nas próximas semanas, o Relatório Focus pode consolidar novo patamar de projeções para 2026, influenciando decisões de política monetária e planejamento corporativo.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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