As contas externas do Brasil registraram déficit de US$ 8,360 bilhões em janeiro, informou o Banco Central (BC) nesta terça-feira (24/02). O resultado ficou abaixo do saldo negativo de US$ 9,809 bilhões apurado no mesmo mês de 2025.
A melhora na comparação anual decorre principalmente da expansão do superávit comercial. Além disso, o déficit acumulado em 12 meses caiu para US$ 67,551 bilhões, equivalente a 2,92% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 3,35% do PIB um ano antes.
Ajuste externo impulsionado pelo comércio
O avanço da balança comercial sustentou a redução do rombo das contas externas do Brasil. Em janeiro, o superávit atingiu US$ 3,516 bilhões, mais que o dobro do observado um ano antes. As exportações somaram US$ 25,282 bilhões, enquanto as importações recuaram 10%, para US$ 21,766 bilhões.
Segundo Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC, a queda das compras externas foi “bastante generalizada” e reflete desaceleração da atividade doméstica. Já o déficit na conta de serviços recuou para US$ 3,972 bilhões, embora as despesas líquidas com viagens internacionais tenham avançado.
Financiamento das contas externas do Brasil
Mesmo com o saldo negativo, as contas externas do Brasil mantiveram financiamento por capital de longo prazo. O Investimento Direto no País (IDP) somou US$ 8,168 bilhões em janeiro, acima dos US$ 6,708 bilhões de um ano antes.
No acumulado em 12 meses, o IDP alcançou US$ 79,137 bilhões, ou 3,42% do PIB. Rocha afirmou que o cenário é “bastante robusto” e que o déficit externo está “totalmente financiado pelo IDP”, com fluxos e estoques de boa qualidade.
Além disso, houve entrada líquida de US$ 8,867 bilhões em investimentos em carteira, maior volume desde julho de 2018. As reservas internacionais atingiram US$ 364,367 bilhões, ampliando o colchão de liquidez.
Contas externas do Brasil sob pressão estrutural
Apesar da melhora comercial, a conta de renda primária pressionou o resultado. O déficit nessa rubrica chegou a US$ 8,312 bilhões, alta de 18,7% em relação a janeiro de 2025, refletindo remessas de lucros e dividendos e pagamentos de juros ao exterior.
Esse componente tende a permanecer negativo porque o estoque de capital estrangeiro no país supera os ativos brasileiros fora do Brasil. Ainda assim, as estatísticas das contas externas do Brasil indica reequilíbrio gradual, apoiado por fluxo consistente de capital produtivo e posição confortável de reservas, em um contexto de desaceleração interna e ajuste das importações.