Governo estuda implementação de Tarifa Zero no transporte público, diz ministro

A Tarifa Zero transporte público está em estudo pelo governo federal. Fazenda calcula custos e fontes de financiamento, enquanto Câmara analisa novo marco do setor urbano. Saiba mais.
Tarifa Zero transporte público em estudo pelo governo federal
Governo federal analisa viabilidade econômica da Tarifa Zero no transporte coletivo urbano. (Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília)

A possibilidade de adesão nacional à Tarifa Zero no transporte público é estudada pelo governo federal. É o que afirmou, nesta terça-feira (24/02), o ministro das Cidades Jader Filho. O ministro confirmou que a equipe econômica do governo analisa a viabilidade da medida, porém, ainda não há proposta enviada ao Congresso nem cronograma de implementação.

Segundo o ministro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que o Ministério da Fazenda elabore um estudo para dimensionar custos e possíveis fontes de financiamento. “Se vamos avaliar a implementação de tarifa zero, temos que saber de onde vão sair os recursos; qual o tamanho dessa despesa”, afirmou.

Revisão do financiamento do transporte urbano

O debate ocorre em meio a questionamentos sobre o atual modelo de financiamento do setor. Este, baseado majoritariamente na tarifa paga pelo usuário, com participação variável de subsídios públicos. Para Jader Filho, “o modelo que está posto está falido” e não funciona adequadamente.

Em outubro do ano passado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que a pasta realiza uma “radiografia do setor” para examinar alternativas. Segundo ele, técnicos recuperam estudos sobre custeio do transporte coletivo urbano, buscando avaliar formatos que reduzam a pressão tarifária sem ignorar o custo fiscal.

Paralelamente ao estudo da Tarifa Zero transporte público, a Câmara dos Deputados pode votar o Projeto de Lei nº 3278/21, que institui um novo marco regulatório para o setor. O texto já foi aprovado no Senado e teve regime de urgência aprovado no início do mês.

A proposta prevê a criação de uma rede integrada de transporte público coletivo, com gestão compartilhada entre União, estados e municípios. Também autoriza a destinação de recursos orçamentários para cobrir gratuidades e tarifas reduzidas, além de estabelecer metas de desempenho operacional e qualidade do serviço.

Tarifa Zero no transporte público e experiências locais

Atualmente, 136 cidades brasileiras já adotam gratuidade total no transporte, sobretudo municípios de pequeno e médio porte. Como, por exemplo, o Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, Ceará, que oferece tarifa zero desde 2010. Esse caso, todavia, não resulta de política federal, mas de decisões locais.

O relator do projeto na Câmara, deputado José Priante (PMDB-PA), afirma que o texto separa a tarifa cobrada do passageiro da remuneração das empresas, condicionando o pagamento ao cumprimento de metas. Ainda assim, qualquer ampliação da Tarifa Zero no transporte público dependerá de pactuação com prefeitos e governadores. Afinal, o serviço é de responsabilidade municipal e estadual.

No cenário atual, o governo apenas estuda a viabilidade econômica e institucional da Tarifa Zero no transporte público. O avanço ou não da proposta dependerá das conclusões técnicas da Fazenda e da negociação política no Congresso.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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