Folha salarial de juízes, promotores e defensores concentra 67% do orçamento da Justiça estadual

O orçamento da Justiça estadual destinou 67% à folha em 2024, somando R$ 62,5 bilhões, e já supera 10% do orçamento total em cinco estados, ampliando a pressão sobre as finanças estaduais. Saiba mais.
Orçamento da Justiça estadual simbolizado por cofre aberto com dinheiro e pilhas de documentos sobre mesa.
Em cinco estados, a estrutura de Justiça já consome mais de 10% do orçamento total aprovado para o ano (Foto: Ilustrativa/IA)

O orçamento da Justiça estadual destinou 67% de seus recursos à folha salarial em 2024. Ao todo, tribunais de Justiça, Ministérios Públicos e Defensorias Públicas desembolsaram R$ 62,5 bilhões com salários e benefícios, segundo levantamento da organização Justa.

A concentração em despesas com pessoal ocorre em paralelo a uma expansão da participação do sistema nas contas públicas estaduais. Em cinco estados, a estrutura de Justiça já consome mais de 10% do orçamento total aprovado para o ano. O dado revela não apenas o peso interno da folha, mas também a dimensão externa do sistema dentro do orçamento estadual.

Orçamento da Justiça estadual já supera 10% em cinco estados

A participação no orçamento total supera 10% nas seguintes unidades:

  • Rondônia: 13% do orçamento total
  • Minas Gerais: 12%
  • Paraíba: 11%
  • Rio de Janeiro: 11%
  • Mato Grosso: 10%

Em estados como Paraná, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul, os percentuais do orçamento da Justiça estadual variam entre 7% e 9%. No Distrito Federal, o índice é de 1%. A diferença evidencia distintos arranjos institucionais e prioridades fiscais.

Créditos adicionais reforçam o orçamento

Em 2024, o sistema recebeu R$ 4,3 bilhões em créditos adicionais. Parte relevante foi direcionada às despesas com pessoal.

  • R$ 4,7 bilhões destinados exclusivamente à folha
  • São Paulo concentrou R$ 1,3 bilhão
  • Paraná adicionou R$ 692 milhões
  • São Paulo registrou R$ 666 milhões no total adicional do orçamento da Justiça estadual
  • Pará somou R$ 568 milhões

Proporcionalmente, o Amazonas ampliou seu orçamento inicial em quase 30%. Pará (17,7%) e Mato Grosso (15,6%) aparecem na sequência.

Segundo Luciana Zaffalon, diretora executiva do Justa, em 11 estados o crescimento do orçamento da Justiça estadual ocorreu em ritmo superior ao avanço do orçamento geral. Ela afirma que verbas indenizatórias e benefícios adicionais pressionam a estrutura remuneratória e que “na prática, o teto virou piso”.

STF discute indenizações e impacto no orçamento da Justiça estadual

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu indenizações não previstas em lei e proibiu novas normas que reconheçam esses pagamentos. Ele concedeu prazo de 60 dias para que os órgãos comprovem a base legal das verbas. O plenário deve analisar o tema nesta quarta-feira (25/02).

Com receitas estaduais mais sensíveis ao ciclo econômico e limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal, a concentração de 67% do orçamento da Justiça estadual em folha e a ampliação de sua fatia no orçamento total tendem a ampliar o debate sobre sustentabilidade fiscal e governança do gasto público nos próximos anos.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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