Com 1.252 itens taxados, custo de importados no Brasil muda

O Imposto de Importação no Brasil foi elevado para mais de 1.200 produtos, incluindo eletrônicos, máquinas industriais e equipamentos de tecnologia. O governo afirma que a medida busca reduzir pressões nas contas externas após a queda do superávit comercial e o avanço das importações. Importadores, por sua vez, alertam para possível aumento de custos e impacto sobre investimentos e modernização produtiva. Saiba mais.
Imposto de Importação no Brasil impacta fluxo de contêineres em porto comercial
Elevação do Imposto de Importação no Brasil atinge mais de 1.200 produtos e altera dinâmica do comércio exterior. (Foto: Reprodução)

O Imposto de Importação no Brasil foi elevado para mais de 1.200 produtos, atingindo bens com fabricação nacional em meio à queda do superávit comercial. A medida altera alíquotas que estavam zeradas ou reduzidas e reposiciona a política comercial diante do avanço das importações.

O governo afirma que o novo Imposto de Importação busca conter pressões sobre o déficit em transações correntes, hoje próximo de 3% do PIB. Já importadores veem risco de encarecimento de equipamentos e impacto sobre investimentos produtivos. A controvérsia vai além da tarifa.

Os setores mais expostos ao novo Imposto de Importação no Brasil

Embora a lista completa de códigos NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) ainda não esteja detalhada em versão resumida, categorias com produção doméstica consolidada tendem a concentrar os efeitos do Imposto de Importação no Brasil:

  • Eletrônicos de consumo, como celulares, televisores e computadores
  • Componentes eletrônicos e peças de informática
  • Equipamentos de telecomunicações
  • Máquinas industriais
  • Itens voltados a data centers, como CPUs e hardware especializado
  • Segmentos de bens intermediários industriais, incluindo produtos metálicos e químicos

Esses grupos registraram crescimento expressivo nas compras externas mesmo com oferta interna. A investigação, contudo, passa pelo diagnóstico macroeconômico que sustenta a decisão.

A lógica externa por trás do aumento das tarifas

Segundo o secretário Uallace Moreira, houve avanço superior a 30% nas importações de segmentos que já contam com produção local. No mesmo período, portanto, o saldo da balança comercial recuou de cerca de US$ 77 bilhões para aproximadamente US$ 65 bilhões.

Nesse contexto, o imposto de Importação no Brasil passa a funcionar como instrumento de política comercial voltado ao ajuste do balanço de pagamentos. Além disso, para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), benefícios amplos criaram distorções que ampliaram a vulnerabilidade do setor externo.

Exceções preservadas e previsibilidade regulatória

Apesar da elevação, o imposto de Importação no Brasil manteve tarifa zero para bens sem similar nacional. O regime de ex-tarifário continua válido para insumos e máquinas estratégicas.

Projetos de data centers, amparados pelo programa Redata, terão lista específica de equipamentos com isenção por cinco anos. A promessa é garantir previsibilidade mesmo que surja produção local no período. Para além da retórica industrial, o desenho indica seletividade na aplicação das tarifas.

Leia também: Tarifas de Trump sobre o Brasil aliviam R$ 87,5 bi de exportações e redesenham risco do setor

Entre proteção produtiva e custo tecnológico

Importadores afirmam que o novo Imposto de Importação no Brasil pode elevar custos ao longo das cadeias globais de suprimento, afetando modernização tecnológica e competitividade empresarial.

O governo rebate e sustenta que 95% dos celulares vendidos no país já são produzidos internamente, o que reduziria risco de alta disseminada ao consumidor. Ainda assim, o efeito final dependerá da capacidade de absorção desses custos pela indústria.

O teste real do Imposto de Importação no Brasil nas contas externas

A eficácia do imposto será medida pela evolução das contas externas nos próximos meses. Se o ajuste reduzir compras externas sem comprometer investimentos produtivos, poderá aliviar o setor externo. Porém, caso pressione custos industriais e encareça tecnologia, pode limitar ganhos de competitividade. O novo Imposto de Importação, portanto, deixa de ser apenas instrumento tarifário e passa a ser um teste direto da estratégia comercial adotada pelo governo do Brasil.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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