O Imposto de Importação no Brasil foi elevado para mais de 1.200 produtos, atingindo bens com fabricação nacional em meio à queda do superávit comercial. A medida altera alíquotas que estavam zeradas ou reduzidas e reposiciona a política comercial diante do avanço das importações.
O governo afirma que o novo Imposto de Importação busca conter pressões sobre o déficit em transações correntes, hoje próximo de 3% do PIB. Já importadores veem risco de encarecimento de equipamentos e impacto sobre investimentos produtivos. A controvérsia vai além da tarifa.
Os setores mais expostos ao novo Imposto de Importação no Brasil
Embora a lista completa de códigos NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) ainda não esteja detalhada em versão resumida, categorias com produção doméstica consolidada tendem a concentrar os efeitos do Imposto de Importação no Brasil:
- Eletrônicos de consumo, como celulares, televisores e computadores
- Componentes eletrônicos e peças de informática
- Equipamentos de telecomunicações
- Máquinas industriais
- Itens voltados a data centers, como CPUs e hardware especializado
- Segmentos de bens intermediários industriais, incluindo produtos metálicos e químicos
Esses grupos registraram crescimento expressivo nas compras externas mesmo com oferta interna. A investigação, contudo, passa pelo diagnóstico macroeconômico que sustenta a decisão.
A lógica externa por trás do aumento das tarifas
Segundo o secretário Uallace Moreira, houve avanço superior a 30% nas importações de segmentos que já contam com produção local. No mesmo período, portanto, o saldo da balança comercial recuou de cerca de US$ 77 bilhões para aproximadamente US$ 65 bilhões.
Nesse contexto, o imposto de Importação no Brasil passa a funcionar como instrumento de política comercial voltado ao ajuste do balanço de pagamentos. Além disso, para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), benefícios amplos criaram distorções que ampliaram a vulnerabilidade do setor externo.
Exceções preservadas e previsibilidade regulatória
Apesar da elevação, o imposto de Importação no Brasil manteve tarifa zero para bens sem similar nacional. O regime de ex-tarifário continua válido para insumos e máquinas estratégicas.
Projetos de data centers, amparados pelo programa Redata, terão lista específica de equipamentos com isenção por cinco anos. A promessa é garantir previsibilidade mesmo que surja produção local no período. Para além da retórica industrial, o desenho indica seletividade na aplicação das tarifas.
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Entre proteção produtiva e custo tecnológico
Importadores afirmam que o novo Imposto de Importação no Brasil pode elevar custos ao longo das cadeias globais de suprimento, afetando modernização tecnológica e competitividade empresarial.
O governo rebate e sustenta que 95% dos celulares vendidos no país já são produzidos internamente, o que reduziria risco de alta disseminada ao consumidor. Ainda assim, o efeito final dependerá da capacidade de absorção desses custos pela indústria.
O teste real do Imposto de Importação no Brasil nas contas externas
A eficácia do imposto será medida pela evolução das contas externas nos próximos meses. Se o ajuste reduzir compras externas sem comprometer investimentos produtivos, poderá aliviar o setor externo. Porém, caso pressione custos industriais e encareça tecnologia, pode limitar ganhos de competitividade. O novo Imposto de Importação, portanto, deixa de ser apenas instrumento tarifário e passa a ser um teste direto da estratégia comercial adotada pelo governo do Brasil.