As obras da Transnordestina eliminaram o principal gargalo físico ao receber, nesta terça-feira (24/02), 34 mil toneladas de trilhos no Porto do Pecém. O carregamento vindo da China completa o estoque necessário para concluir a ferrovia prevista para 2027.
São 23 mil barras de 24 metros que ainda passarão por soldagem antes da instalação na malha ferroviária. Com o material assegurado, o cronograma deixa de depender de fornecimento externo e passa a ser condicionado à capacidade de montagem da infraestrutura ferroviária. A investigação, contudo, esbarra em um dado operacional: o volume de frentes simultâneas em campo.
Obras da Transnordestina concentram 326 km simultâneos no Ceará
Atualmente, 326 quilômetros estão em execução entre Piquet Carneiro e o Pecém. Segundo a Transnordestina Logística S.A. (TLSA), cerca de 80% desse segmento já foi concluído.
No território cearense como um todo, o traçado soma 623 quilômetros distribuídos em 12 trechos. A previsão oficial indica conclusão em 2027, porém, diferença entre estimativas do governo estadual e da CSN quanto ao semestre final. Além da instalação dos trilhos ferroviários, entram na etapa decisiva a aplicação de dormentes, lastro ferroviário, sistemas de sinalização e consolidação da superestrutura. Para além da obra civil, o cronograma depende de coordenação técnica contínua.
Terminal do Pecém precisa avançar no mesmo compasso
A etapa física das obras da Transnordestina exige integração com o projeto da TUP Nelog, estrutura estimada em R$ 1,3 bilhão que conectará a ferrovia ao terminal portuário.
A capacidade inicial projetada é de 6 milhões de toneladas por ano, podendo alcançar 28 milhões. A concessionária prevê iniciar a operação comercial em janeiro de 2028. Para além do investimento, o desafio está na compatibilidade entre logística portuária, pátios ferroviários e sistemas de descarga.
O projeto que atravessa três estados e duas décadas de ajustes
As obras da Transnordestina têm uma trajetória que começa décadas antes da chegada dos trilhos ao Pecém. O governo lançou o projeto moderno em 2006 para conectar o interior do Nordeste aos grandes portos da região — Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco, abrangendo cerca de 1,2 mil quilômetros ligando Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém. A ferrovia passou a integrar a estratégia de escoamento de grãos, minérios e combustíveis, reduzindo custos logísticos e ampliando o acesso aos mercados interno e externo.
Além disso, visa cruzar mais de 50 municípios e criar um corredor logístico que reduz custos e desafoga as rodovias. Ao longo dos anos, porém, o cronograma enfrentou adiamentos, ajustes de escopo e mudanças de gestão. Contudo, a finalidade original permanece: transformar o escoamento de produtos do sertão para o mercado global.
Obras da Transnordestina entram no teste definitivo de execução
Os lotes 9 e 10, iniciados com recursos do Novo PAC, somam 97 quilômetros e envolvem R$ 2 bilhões. O lote 5, com 51 quilômetros, tem entrega prevista para abril.
Segundo o presidente do Grupo CSN, Tufi Daher, o projeto mantém 5 mil empregos diretos e 20 mil indiretos. Testes recentes já transportaram milho, calcário agrícola e gipsita, indicando ativação gradual da capacidade de carga.
Com o estoque completo, as obras da ferrovia Transnordestina deixam de ter como variável crítica o suprimento e passam a depender exclusivamente de execução coordenada. Se o ritmo médio de 50 quilômetros a cada trimestre for mantido, 2027 permanece factível. Caso contrário, o atraso não será logístico, mas operacional. E, além disso, exporá o limite de gestão na fase final do corredor ferroviário.