Tarifas de Trump sobre o Brasil aliviam R$ 87,5 bi de exportações e redesenham risco do setor

As tarifas de Trump sobre o Brasil retiram 46% das exportações da sobretaxa e zeram imposto sobre aeronaves, mas mantêm mais da metade da pauta sob tarifa global ou barreiras setoriais.
tarifas de Trump sobre o Brasil e exportações industriais aos EUA
Parte das exportações brasileiras deixou de enfrentar sobretaxas após revisão tarifária nos Estados Unidos. (Foto: Reprodução)

As tarifas de Trump sobre o Brasil passaram a poupar 46% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 17,5 bilhões (cerca de R$ 87,5 bi), segundo estimativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). A nova ordem executiva americana redistribui o alcance das sobretaxas e altera o nível de exposição de setores estratégicos.

O alívio, porém, não é uniforme. Outros 54% da pauta exportadora continuam sujeitos a algum tipo de tributação adicional. Parte enfrenta a tarifa global de 10%, com possibilidade de elevação para 15%, enquanto 29% seguem enquadrados nas tarifas setoriais da Seção 232, aplicadas com base em argumento de segurança nacional. A mudança reduz a intensidade da pressão, mas preserva um ambiente de incerteza regulatória.

Tarifas de Trump sobre o Brasil zeram imposto sobre aeronaves

A exclusão das aeronaves das tarifas de Trump representa a alteração de maior impacto econômico no Brasil. O produto passa de 10% para alíquota zero, preservando uma cadeia industrial de alto valor agregado e forte conteúdo tecnológico.

Nos últimos dois anos, as aeronaves figuraram entre os principais itens da pauta brasileira aos EUA. Ao retirar essa cobrança, Washington evita encarecer contratos bilionários e mantém integrada uma cadeia produtiva que envolve fornecedores de ambos os países.

Indústria migra para tarifa uniforme, mas aço segue sob barreira

Máquinas, calçados, móveis, confecções, madeira, produtos químicos e rochas ornamentais deixam de enfrentar sobretaxas que chegavam a 50%. Agora competem sob alíquota isonômica de 10%, dentro da Seção 122 da Lei de Comércio de 1974.

No agronegócio, pescados, mel, tabaco e café solúvel também migram para essa tarifa uniforme. Já aço e alumínio permanecem sob a estrutura de tarifas de Trump sobre o Brasil, a Seção 232. O resultado prático é uma divisão clara entre setores parcialmente liberados e segmentos ainda pressionados por barreiras comerciais.

Comércio bilateral continua deficitário apesar do alívio

Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos alcançou US$ 82,8 bilhões. As exportações brasileiras aos EUA somaram US$ 37,7 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 45,1 bilhões, gerando déficit comercial de US$ 7,5 bilhões para o lado brasileiro.

O Mdic ressalta que os números são estimativas baseadas na estrutura exportadora recente e podem variar conforme critérios de classificação tarifária. Ainda assim, a redistribuição das sobretaxas reduz a exposição a percentuais extremos que vigoravam anteriormente.

No plano estratégico, as tarifas de Trump sobre o Brasil deixam claro que o acesso ao mercado americano permanece condicionado a decisões unilaterais de Washington. O alívio parcial melhora a posição de setores industriais intensivos em tecnologia, mas não elimina a dependência de regras que podem mudar conforme a política comercial dos EUA. Transformar essa brecha em ganho estrutural exigirá diversificação de destinos e maior sofisticação exportadora.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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