O acordo Mercosul-UE foi ratificado pelo Uruguai nesta quinta-feira (26/02), após aprovação expressiva no Congresso, tornando o país o primeiro a concluir formalmente o processo legislativo. A Câmara dos Deputados aprovou o texto por 91 votos a 2, um dia depois do Senado ter dado aval unânime à proposta.
A decisão ocorre após mais de 25 anos de negociações entre os dois blocos e recoloca o tratado comercial no centro da agenda econômica internacional. Assinado em janeiro, em Assunção, o pacto depende da ratificação individual dos países para entrar em vigor.
Ratificação do acordo Mercosul-UE no Parlamento uruguaio
O chanceler uruguaio, Mario Lubetkin, classificou a decisão como “histórica” e afirmou que representa “um sinal” para a Europa. Segundo ele, a aprovação reforça o compromisso do país com a integração econômica e com a ampliação de mercados externos.
Enquanto isso, a Argentina também deve concluir sua tramitação parlamentar do acordo Mercosul-UE nesta quinta-feira, segundo expectativa oficial. Além disso, Brasil, que já teve aprovação unânime, Paraguai e outros membros fundadores do bloco sul-americano devem finalizar seus processos nos próximos dias.
Tratado comercial entre Mercosul e União Europeia enfrenta resistências
Apesar do apoio interno no Mercosul, o tratado comercial enfrenta questionamentos na Europa. A França lidera críticas ao texto e encaminhou o documento à Justiça europeia em janeiro, o que suspendeu sua implementação formal. Lula, inclusive, chegou a conversar com o presidente francês Emmanuel Macron em janeiro, tendo o acordo Mercosul-UE entre as pautas.
As preocupações concentram-se nos possíveis efeitos sobre agricultura europeia, pecuária, subsídios e padrões ambientais. Ainda assim, a União Europeia pode decidir aplicar o acordo de forma provisória, caso haja entendimento político entre os Estados-membros.
O que muda com o acordo Mercosul-UE
Quando implementado, o acordo Mercosul-UE criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo mais de 700 milhões de consumidores. O texto prevê eliminação progressiva de tarifas, ampliação de quotas de exportação e abertura de mercados de bens e serviços.
A União Europeia poderá exportar automóveis, máquinas industriais, vinhos e bebidas alcoólicas em condições mais favoráveis ao Mercosul. Por outro lado, os países sul-americanos ampliam acesso para carne, açúcar, arroz, mel e soja no mercado europeu.
O avanço do acordo Mercosul-UE sinaliza uma redefinição nas relações comerciais entre a América do Sul e a Europa. Em um cenário de tensões geopolíticas e revisão de cadeias globais, a consolidação do tratado pode reconfigurar fluxos de comércio e pressionar setores sensíveis nos dois lados do Atlântico.