Inflação do aluguel caiu 0,73% em fevereiro e consolidou o índice no campo negativo tanto no ano quanto em 12 meses. O recuo, apontado no Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), divulgado nesta quinta-feira (26/02) pela Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), muda a base de cálculo dos contratos imobiliários e reduz a pressão automática sobre aniversários de locação. Além disso, para quem renegocia valores agora, o dado altera a correlação de forças.
No acumulado do ano, o índice registra queda, enquanto em 12 meses mantém variação negativa. O contraste com o mesmo período do ano anterior, quando acumulava alta expressiva, revela uma inflexão clara no ritmo de preços. A origem desse giro, contudo, não está no varejo. Ela começa no atacado.
Inflação do aluguel reflete tombo das commodities
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que tem maior peso no IGP-M, recuou 1,18% no mês. Segundo o economista André Braz, da Fundação Getulio Vargas (FGV), a queda foi puxada por commodities como minério de ferro, soja e café, que registraram retrações relevantes.
Quando matérias-primas perdem valor, o efeito se espalha pela cadeia produtiva e pressiona o índice geral para baixo. Como o IGP-M combina preços ao produtor, ao consumidor e à construção, o recuo no atacado acaba predominando. Mas os demais componentes, como a própria inflação do aluguel, também desaceleraram.
Varejo perde intensidade
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) avançou 0,30%, abaixo do resultado anterior. Alimentação, saúde, educação e transportes mostraram perda de ritmo. Braz atribui parte dessa desaceleração à menor pressão das mensalidades escolares no período.
Ainda houve avanço em habitação e despesas diversas, o que impede deflação no varejo. Mesmo assim, a desaceleração contribui para que a inflação do aluguel permaneça em trajetória mais contida. A construção civil, inclusive, completa esse quadro.
Construção também arrefece
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,34%, em ritmo inferior ao mês anterior. A inflação da mão de obra perdeu força, enquanto materiais e equipamentos variaram menos.
Com os três componentes em compasso mais moderado, o IGP-M registra uma descompressão disseminada. O peso do IPA, porém, foi determinante para levar o índice ao negativo.
O que muda daqui para frente na inflação do aluguel
A inflação do aluguel negativa altera reajustes para contratos indexados ao IGP-M nos próximos meses. Proprietários podem enfrentar correções próximas de zero ou até redução nominal, dependendo da cláusula firmada.
Se o comportamento das commodities persistir e o varejo mantiver desaceleração, o índice tende a permanecer contido. Em um ambiente de atividade moderada e menor pressão sobre insumos, o IGP-M divulgado hoje deixa de ser vetor de alta automática e passa a refletir um ciclo de acomodação que redefine negociações no mercado imobiliário.