A disputa judicial envolvendo a mansão de João Adibe, dono da Cimed, ganhou novo capítulo após o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) manter o embargo da obra no bairro dos Jardins, área tombada da capital paulista. O acórdão negou recursos apresentados pelo empresário e confirmou a paralisação determinada em primeira instância. As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles nesta quinta-feira (26/02).
Segundo o Metrópoles, a controvérsia envolve a Associação dos Moradores dos Jardins/ (AME Jardins) e um vizinho do empresário. Embora a defesa sustente que a obra esteja concluída, a Justiça reafirmou que a emissão do Habite-se não garante, por si só, a regularidade da construção. A prefeitura expediu o documento em dezembro e o suspendeu em janeiro após constatar execução em desacordo com o projeto aprovado.
Mansão de João Adibe em área tombada sob fiscalização
O imóvel fica no Jardim Paulista, área sujeita a restrições urbanísticas e fiscalização do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat). A decisão assegurou vistoria completa no local, diante de questionamentos sobre o cumprimento das regras de preservação.
De acordo com a ação civil pública, os órgãos competentes aprovaram a intervenção como reforma, mas ela teria resultado na demolição quase total do casarão original, com preservação apenas da fachada. A AME Jardins aponta extrapolação de altura, descumprimento de recuos e intervenções não previstas no projeto, como segundo pavimento em edícula.
Laudo técnico e investigação policial
Um dos vizinhos, o banqueiro André Schwartz, CEO do banco Genial, anexou laudo técnico relatando trincas e fissuras em sua residência após serviços de terraplenagem e uso de maquinário pesado. O documento menciona infiltrações, redução de insolação e impacto na privacidade.
Ainda conforme o Metrópoles, a ação afirma que as obras teriam continuado apesar de embargos administrativos do Condephaat e da Subprefeitura de Pinheiros. A Polícia Civil instaurou inquérito por desobediência a pedido da prefeitura.
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Defesa contesta irregularidades
Os advogados Daniel Bialski e Fabio Kadi afirmaram que todos os órgãos competentes autorizaram a obra e que a construção já estava concluída há meses. Sustentam que o imóvel possui Habite-se e que a família reside no local.
A defesa também citou laudo pericial em ação anterior que teria afastado responsabilidade de João Adibe por danos relatados pelo vizinho, atribuindo os problemas à conservação do imóvel afetado.
A mansão de João Adibe, dono da Cimed e listado pela Forbes com patrimônio estimado em R$ 5,2 bilhões, tornou-se um caso que expõe a tensão entre direito urbanístico, preservação histórica e atuação administrativa. No mercado imobiliário de alto padrão, decisões como a do TJSP reforçam que empreendimentos em áreas tombadas permanecem sujeitos a controle rigoroso.