A prévia da inflação de fevereiro, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo quinzenal (IPCA-15), divulgada nesta sexta-feira (27/02), avançou 0,84% e mais que quadruplicou o ritmo observado em janeiro. Segundo o índice, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o salto mensal interrompe a leitura mais branda do início do ano e reposiciona o debate sobre preços administrados e serviços.
Embora o acumulado em 12 meses tenha recuado para 4,10%, abaixo dos 4,50% anteriores, a fotografia mensal revela pressão concentrada. O índice preliminar do IPCA mostra que o avanço não foi difuso, mas puxado por grupos específicos. A questão, é onde essa pressão se instalou e por quê.
Educação e transportes lideram a prévia da inflação de fevereiro
Dois grupos explicam a maior parte da alta do IPCA-15:
No grupo Educação, os reajustes aplicados no início do ano letivo explicam a alta registrada na prévia da inflação de fevereiro (IPCA-15). Os cursos regulares ficaram, em média, 6,18% mais caros em relação a janeiro, refletindo a atualização anual das mensalidades escolares.
O avanço foi mais concentrado nos níveis tradicionais da educação básica:
- Ensino médio: alta de 8,19% na comparação com o período anterior;
- Ensino fundamental: aumento de 8,07%;
- Pré-escola: reajuste de 7,49%.
Já em Transportes, a pressão veio de diferentes frentes. Seguindo a prévia da inflação de fevereiro, passagens aéreas saltaram 11,64%. Já os combustíveis subiram 1,38%, influenciados por:
- Etanol: aumento de 2,51% nos preços
- Gasolina: aumento de 1,30%
- Diesel: subiu 0,44%
A investigação, contudo, esbarra em um detalhe técnico: parte da alta está associada a reajustes tarifários urbanos apropriados no período de coleta.
Tarifas urbanas e combustível redesenham o índice preliminar do IPCA
Na prévia da inflação de fevereiro, o subitem ônibus urbano registrou variação de 7,52%, refletindo reajustes nos valores de passagens e acesso em capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Fortaleza. Além disso, categorias Metrô e integração de transporte público também incorporaram aumentos e efeitos de gratuidades.
Essa dinâmica ajuda a explicar por que São Paulo apresentou a maior variação regional, com 1,09%. Porém, no extremo oposto, Recife registrou 0,35%, influenciado pela queda no transporte por aplicativo e pelo recuo da energia elétrica.
Para além do transporte, outro vetor de alívio surgiu no grupo Habitação.
Energia elétrica segura parte da pressão na prévia da inflação de fevereiro
A energia elétrica residencial caiu 1,37% no mês, exercendo o maior impacto negativo individual no índice que mede a prévia da inflação de fevereiro. A vigência da bandeira verde, sem cobrança adicional, contribuiu para esse resultado.
No grupo Alimentação e bebidas, o quadro foi misto, com aumentos em tomate, e queda em frutas:
- Tomate: alta de 10,09%
- Carnes: 0,76%
- Arroz: queda de 2,47%
- Frango em pedaços: -1,55%
- Frutas: -1,33%
A alimentação fora do domicílio avançou 0,46%, mostrando que serviços continuam pressionados.
E agora?
A prévia da inflação de fevereiro, captada pelo IPCA-15, expõe um padrão típico de início de ano: serviços e tarifas públicas puxam o índice enquanto itens regulados, como energia elétrica, amortecem parte da alta. O recuo no acumulado em 12 meses indica desaceleração estrutural, mas o ritmo mensal reacende a atenção sobre núcleos ligados a serviços e transporte.
Se a pressão permanecer concentrada nesses segmentos, o debate sobre juros e política monetária tende a ganhar nova intensidade nas próximas leituras do IPCA.
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