EUA e Israel atacam Irã e interrompem negociações nucleares em meio à incerteza sobre liderança

EUA e Israel atacam Irã e suspendem negociações nucleares, gerando incerteza sobre sucessão interna, resposta militar e risco ao petróleo global. Saiba mais.
EUA ataca Irã após ação conjunta de Estados Unidos e Israel
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Binyamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel; os dois países realizaram ataque conjunto contra o Irã no sábado (28) (Foto: Reprodução)

Na manhã deste sábado (28/02), os EUA e Israel atacaram o Irã, interrompendo a via diplomática que estava em curso para tratar do programa nuclear de Teerã. A ofensiva conjunta denominada “Operação Fúria Épica”, em tradução, ocorreu horas após nova rodada de negociações ser anunciada, alterando o cálculo estratégico na região e colocando sob dúvida a estabilidade interna do regime.

Explosões atingiram áreas leste e oeste da capital iraniana, segundo a mídia local. Israel afirmou ter atacado dezenas de alvos, enquanto o espaço aéreo foi fechado. Teerã respondeu com lançamento de mísseis contra território israelense, que Tel Aviv disse ter interceptado. A investigação, contudo, esbarra em um detalhe político central: o ataque ocorreu no meio de um processo diplomático ativo.

EUA e Israel atacam o Irã após avanço em negociações nucleares

Dois dias antes dos EUA e Israel atacarem o Irã, ataque já planejado dias antes, inclusive, mediadores e o chanceler Abbas Araghchi haviam anunciado progresso em Genebra e marcado nova reunião em Viena. O governo americano exigia desmantelamento completo do programa nuclear e limites à capacidade balística. O Irã aceitava reduzir o grau de enriquecimento em troca de alívio de sanções.

Dados da Agência Internacional de Energia Atômica indicam que o país mantinha 440 kg de urânio enriquecido a 60%, patamar abaixo do necessário para uma bomba, mas próximo do limiar técnico. Ao optar pela ofensiva militar no momento em que a diplomacia avançava, os EUA e Israel atacam o Irã sob a justificativa de risco iminente, argumento sustentado por Washington de Donald Trump e Tel Aviv.

Liderança sob incerteza amplia risco institucional

Com a decisão de ataque dos EUA e de Israel ao Irã, o paradeiro do líder supremo Ali Khamenei tornou-se incerto. Uma autoridade iraniana afirmou à Reuters que ele foi levado a um local seguro. Caso interrompam o comando religioso, a Constituição estabelece a formação de uma junta temporária composta pelo presidente, pelo chefe do Judiciário e por um integrante do Conselho dos Guardiões.

Sem estabilidade política, a Guarda Revolucionária pode ampliar influência. Especialistas consideram também a hipótese de conflito interno, caso diferentes alas disputem o controle do Estado. Esse cenário adiciona camada de imprevisibilidade ao já delicado equilíbrio regional.

EUA e Isreael atacam Irã com petróleo e comércio na equação estratégica

Aliados árabes pressionaram por cautela diante do risco sobre o estreito de Hormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo e gás liquefeito comercializados no mundo. Teerã havia indicado que poderia retaliar nessa rota estratégica em caso de ofensiva direta.

O histórico recente inclui confronto de 12 dias no ano passado e o abandono do acordo nuclear de 2015 pelos Estados Unidos em 2018. A ofensiva atual recoloca a dissuasão militar no centro da equação de segurança regional.

No curto prazo, EUA e Israel atacam o Irã redefinindo, assim, a hierarquia entre diplomacia e força como instrumento de contenção nuclear. No médio prazo, a estabilidade do regime iraniano e o comportamento da Guarda Revolucionária passam a influenciar não apenas a segurança do Oriente Médio. Mas também preços de energia, cadeias logísticas e decisões de risco geopolítico. Portanto, a questão agora não é apenas militar, mas institucional: quem controla o pós-ataque determinará o custo global da escolha americana.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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