Brasil e Índia assinam acordo que abre uma frente estratégica na corrida internacional por minerais críticos e terras raras, insumos centrais para veículos elétricos, painéis solares e indústria tecnológica. O memorando foi formalizado neste sábado (21/02) durante encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Narendra Modi, e já entrou em vigor e terá validade inicial de cinco anos.
O entendimento prevê cooperação entre os ministérios de Minas dos dois países para ampliar investimentos em exploração mineral, mineração estratégica e infraestrutura ligada a elementos de terras raras. O Brasil possui a segunda maior reserva global desses recursos, atrás apenas da China. A negociação, contudo, avança sobre um ponto sensível da geoeconomia atual: a dependência asiática do fornecimento chinês.
Brasil e Índia assinam acordo e reposicionam terras raras na estratégia industrial
O documento estabelece estímulo a projetos em áreas greenfield e brownfield, além de cooperação em processamento mineral e reciclagem tecnológica. A Índia busca fortalecer suas cadeias de suprimento para sustentar o crescimento industrial superior a 6% ao ano, segundo dados recentes do próprio governo indiano.
Ao lado de Modi, Lula afirmou que ampliar investimentos em energias renováveis e minerais estratégicos está no núcleo da parceria. O premiê indiano classificou o entendimento como passo importante para diversificar fornecedores. Para além da retórica diplomática, o acordo mira autonomia industrial em setores como defesa, infraestrutura digital e transição energética.
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Estratégia ultrapassa o setor mineral
O Ministério de Minas e Energia, comandado por Alexandre Silveira, ficará responsável por implementar as ações no Brasil. A cooperação inclui desenvolvimento tecnológico e integração produtiva, aproximando dois integrantes do Brics em um momento de rearranjo das cadeias globais.
Desde 2006, Brasil e Índia mantêm parceria estratégica em comércio, agricultura, energia e inovação. Lula também defendeu transações comerciais em moedas locais, embora tenha descartado moeda comum do bloco. A aproximação reforça o alinhamento em temas como multilateralismo, reforma da ONU e protagonismo do chamado Sul global.
No cenário internacional, Brasil e Índia assinam acordo em um mercado dominado pela China e disputado por Estados Unidos e União Europeia. A consolidação dessa parceria pode redefinir fluxos comerciais e pressionar novas alianças. Em um ambiente de competição por recursos estratégicos, quem controlar as terras raras tende a influenciar o ritmo da economia de baixo carbono.