O Centro de Treinamento (CT) feminino do Palmeiras vai absorver R$ 23,4 milhões em 2026, financiados em parte por uma transferência internacional que quebrou recordes no clube. A diretoria direcionou R$ 18,5 milhões para operação da equipe e reservou o restante para obras e equipamentos em Vinhedo, no interior paulista.
A venda de Amanda Gutierres por US$ 1,1 milhão, contabilizada como R$ 5,5 milhões, ajudou a sustentar o plano. O clube decidiu converter receita esportiva em infraestrutura permanente, e não apenas em reposição de elenco. A estratégia, porém, vai além da obra física.
CT feminino do Palmeiras amplia estrutura e integra departamentos
O novo Centro de Excelência ocupa terreno de 692 m², distribuído em dois pavimentos. No térreo, o projeto inclui academia reformada, áreas de fisioterapia, crioterapia, hidromassagem, nutrição e atendimento médico. No piso superior, dormitórios, auditório, refeitório e salas administrativas integram base e profissional.
A configuração aproxima o feminino do padrão já adotado na Academia de Futebol masculina. Além disso, a diretoria visitou clubes espanhóis para mapear modelos de gestão e performance. A reorganização interna, contudo, dialoga com uma disputa mais ampla no cenário nacional.
Infraestrutura entra na rivalidade com o Corinthians
O novo CT feminino do Palmeiras segue padrão de forte investimento no futebol feminino dos rivais. O Corinthians já definiu área para erguer seu novo centro exclusivo para mulheres. Já a Ferroviária, por sua vez, planeja estádio próprio para categorias de base dentro do complexo de treinamento. O investimento em estrutura para as mulheres, portanto, deixou de ser diferencial e passou a ser requisito competitivo.
Para Fábio Wolff, do comitê organizador do Brasil Ladies Cup, clubes que tratam o futebol feminino como projeto contínuo tendem a ampliar retorno esportivo e de marca. A avaliação conecta o cenário doméstico à Copa do Mundo de 2027, que será disputada no Brasil.
Reforma técnica eleva padrão físico do CT feminino do Palmeiras
A modernização inclui troca integral do piso da academia. A Recoma instalou o modelo “safety tile FX”, da alemã REGUGOL. Segundo o presidente da empresa, Sergio Schildt, o material apresenta alta absorção de impacto e atende padrões de segurança para treinos intensivos.
O foco na preparação física acompanha sequência de títulos: Copa do Brasil de 2025, dois Campeonatos Paulistas consecutivos e a Supercopa do Brasil de 2026, conquistada sobre o Corinthians. A estrutura passa a dialogar com desempenho recente e com ambições futuras.
O CT feminino do Palmeiras deixa de ser apenas suporte logístico e assume papel central na política esportiva do clube. Em um mercado que se profissionaliza às vésperas de um Mundial no país, infraestrutura, governança e formação de base tendem a definir quem consolida presença duradoura. O investimento atual indica que o clube aposta nessa equação como vetor de crescimento sustentável.