Após a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) conquistar o Selo Nacional de Transparência na categoria Diamante, o deputado Romeu Aldigueri (PSB) recebeu o jornalismo do J1 News Brasil na quarta-feira (25/02), no gabinete da Presidência, para um balanço exclusivo do primeiro ano à frente do Legislativo estadual. Com o Parlamento retomando as atividades em fevereiro, ele inicia o segundo ano do biênio 2025–2026 sob o compromisso de consolidar resultados e ampliar a presença institucional da Casa.
Ele fala em metas cumpridas, capilaridade nos 184 municípios e ampliação de programas voltados à juventude, aos vereadores e aos conselheiros tutelares. Também aborda concurso público, valorização de servidores e o cenário político de 2026.
Quem é Romeu Aldigueri
Romeu Aldigueri de Arruda Coelho, 55 anos, é presidente da Alece no biênio 2025–2026 e deputado estadual desde 2019. Foi prefeito do município de Granja entre 2013 e 2016 e atuou em órgãos ambientais como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace).
Formado em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com especialização em Direito Ambiental, presidiu a Câmara de Assuntos Jurídicos do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Em dezembro de 2024, foi eleito presidente da Alece com 44 votos favoráveis entre 46 parlamentares presentes.
Entrevista
J1 – O que o senhor considera o principal eixo da sua gestão neste primeiro ano?
Romeu Aldigueri — Transparência. Desde o início, estabeleci como meta tornar a Alece a assembleia mais transparente do Brasil. Alcançamos o Selo Nacional de Transparência na categoria Diamante, que é o nível máximo. Segundo os critérios do programa, atingimos quase 100% de conformidade. Isso não é retórica. É dado técnico auditado.
J1 – O que mudou na prática dentro da Casa?
Romeu Aldigueri — Mudou a cultura institucional. Além disso, implementamos um sistema mais leve de comunicação e ampliamos a publicidade dos atos administrativos. Hoje, qualquer cidadão pode acompanhar contratos, despesas e votações com mais clareza. Além disso, organizamos fluxos internos. A transparência precisa ser funcional.
J1 – O senhor citou que cerca de 4 mil pessoas circulam diariamente pela Assembleia. O que esse número representa?
Romeu Aldigueri — Representa uma Casa viva. Nesse sentido, a Alece deixou de ser apenas um espaço de votação. É um ambiente de serviços. Temos programas sociais, capacitações e atendimento ao cidadão. Quando você recebe 4 mil pessoas por dia, isso indica que o Parlamento dialoga com a sociedade.
J1 – A interiorização é outro ponto forte da sua gestão?
Romeu Aldigueri — Sem dúvida. Ao longo do ano, levamos programas para os 184 municípios. Além disso, ampliamos a Procuradoria da Mulher para 160 cidades. Implantamos a Sala do Empreendedor, o Balcão do Cidadão e estruturas legislativas nas câmaras municipais. A Assembleia não pode ficar restrita à capital.
J1 – O programa Ceará de Valores é um dos destaques. Qual o alcance?
Romeu Aldigueri — Estamos capacitando 16 mil jovens entre 14 e 29 anos em cidadania, ética pública e empreendedorismo. A juventude precisa entender o funcionamento das instituições. Paralelamente, o programa Alcance atende 2 mil jovens presencialmente e 20 mil no interior, preparando para Enem e vestibulares.
J1 – A Universidade do Parlamento ampliou sua atuação?
Romeu Aldigueri — Sim. Realizamos seminários das escolas legislativas, cursos de especialização e iniciamos cursinhos preparatórios para concurso público de forma gratuita. A qualificação é um dos pilares da nossa gestão. Não podemos ter um Legislativo forte sem formação técnica.
J1 – O senhor criou o Escritório de Desenvolvimento Institucional. Qual a finalidade?
Romeu Aldigueri — Oferecer suporte técnico aos 2 mil vereadores do Ceará. Disponibilizamos assistente social, psicólogo, advogado, contador e economista. Muitos vereadores têm dificuldade na elaboração de projetos de lei. Nós damos orientação institucional, em parceria com a União dos Vereadores do Ceará.
J1 – A capacitação de conselheiros tutelares chamou atenção.
Romeu Aldigueri — Qualificamos 1.070 conselheiros durante seis meses. Entregamos material técnico, promovemos oficinas e seminários. O conselheiro tutelar precisa conhecer profundamente o Estatuto da Criança e do Adolescente. Isso impacta diretamente na proteção da infância.
J1 – O programa de Proteção ao Consumidor também registrou números expressivos.
Romeu Aldigueri — No último ano, realizamos 25 mil atendimentos gratuitos. Com isso, ampliamos o serviço direto ao cidadão. A Assembleia não deve ser apenas fiscalizadora; ela também pode atuar como mediadora de conflitos e orientadora de direitos.
J1 – O senhor anunciou concurso público. Qual o estágio?
Romeu Aldigueri — Vamos lançar o maior concurso da história da Alece, com 200 vagas diretas. O edital deve sair em maio. A Mesa Diretora já aprovou. Paralelamente, trabalhamos na valorização do servidor e na implementação da jornada de 40 horas para quem produz e entrega resultados.
J1 – Há uma agenda voltada à pauta feminina?
Romeu Aldigueri — Sim. Vamos receber a ministra das Mulheres em março para lançar o pacto estadual contra o feminicídio. A Procuradoria da Mulher ampliou sua presença no interior. O enfrentamento à violência precisa ser estruturado e contínuo.
J1 – Como o senhor define o papel político da Assembleia hoje?
Romeu Aldigueri — A Alece é uma Casa de leis, de fiscalização e de representação. Cada deputado foi eleito pela população. Nosso dever é servir ao interesse público. Não importa se é oposição ou situação. O Parlamento precisa refletir a pluralidade dos nove milhões de cearenses.
J1 – Em termos legislativos, quais agendas estruturantes marcaram esse primeiro ano?
Romeu Aldigueri — Nós priorizamos o fortalecimento institucional da Casa e pautas com impacto social direto. Avançamos na consolidação dos mecanismos de fiscalização, organizamos o processo legislativo e demos centralidade a temas como proteção às mulheres e desenvolvimento regional. A Assembleia precisa aprovar leis, mas também garantir que elas sejam executáveis e produzam efeito concreto na vida das pessoas. O primeiro ano foi de base; o segundo tende a ser mais decisivo.
J1 – E quanto a 2026? Quais são seus desafios?
Romeu Aldigueri — Temos lideranças como o governador Elmano de Freitas, o ministro Camilo Santana e o senador Cid Gomes que defendem renovação política. Existe a possibilidade de uma pré-candidatura a deputado federal pelo PSB. No entanto, meu foco imediato é consolidar a gestão na Alece. Se eu avançar para outro cargo, será para servir. Quem entra na vida pública deve entrar para servir, não para se servir.
Ao concluir o primeiro ano do biênio, Romeu Aldigueri aposta na combinação entre transparência auditada, expansão territorial e qualificação institucional como marca administrativa. A agenda de 2026, embora presente, aparece subordinada à consolidação de resultados no Legislativo estadual. A equação é clara: transformar capital político em estrutura permanente de governança.