Projeto de socorro ao BRB trava na Câmara sob risco de colapso regulatório

Governo do Distrito Federal tenta aprovar o projeto de socorro ao BRB após estimativa de perda bilionária ligada ao Banco Master. A proposta prevê aporte e empréstimo de até R$ 6,6 bilhões. Sem aval da Câmara, o banco pode sofrer restrição regulatória com impacto em crédito e serviços no DF.
Fachada do Banco de Brasília (BRB) em prédio corporativo no Distrito Federal
Projeto de socorro ao BRB é analisado na Câmara Legislativa diante de estimativa de perda bilionária ligada ao Banco Master (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

Um projeto de socorro ao Banco de Brasília (BRB) será analisado nesta terça-feira (03/03) pela Câmara Legislativa sob o alerta de que o banco pode sofrer restrição regulatória caso a proposta não seja aprovada. O Banco Central estima perda de até R$ 5 bilhões após operações ligadas ao Banco Master.

Sem o projeto de socorro ao BRB, segundo o presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, podem ser interrompidas transferências de renda que alcançam 400 mil beneficiários e operações de crédito imobiliário que envolvem 650 mil trabalhadores. A advertência, portanto, elevou a pressão política sobre os deputados.

Projeto de socorro ao BRB tenta cobrir rombo bilionário

A origem da crise está na carteira de R$ 12,2 bilhões herdada após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central em 2025. Parte desses ativos pode gerar perdas expressivas, segundo a autoridade monetária.

O projeto de socorro ao BRB, portanto, autoriza aporte direto do Governo do Distrito Federal, empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos ou instituições financeiras. E, além disso, uso de nove imóveis públicos como alternativa patrimonial.

Além disso, a proposta sustenta o plano de capitalização anunciado na semana passada. A mesmo pode chegar a R$ 8,8 bilhões por meio da emissão de 1,675 bilhão de ações ordinárias.

Impacto imediato em crédito e serviços públicos

Nelson Antônio afirmou que o projeto de socorro ao BRB não representa “cheque em branco”. Ele declarou que, sem aprovação, o banco pode deixar de funcionar do ponto de vista regulatório.

De acordo com o executivo, essa eventual paralisação não significaria apenas suspensão interna de atividades. Como o BRB operacionaliza pagamentos do governo distrital, a interrupção poderia afetar operações como transferências de renda, a compra e o repasse de recursos para medicamentos de alto custo e a bilhetagem do transporte público.

Souza também citou risco às operações de crédito imobiliário, rural e às linhas destinadas a micro e pequenas empresas. Nesse cenário, afirmou, haveria reflexo no sistema financeiro regional.

Parecer técnico amplia resistência ao projeto

A Consultoria Legislativa recomendou a rejeição da redação atual do projeto de socorro ao BRB. O parecer condiciona qualquer deliberação ao envio de estimativa de impacto fiscal, auditoria independente e plano de capitalização submetido ao Banco Central.

Deputados da base e da oposição demonstram resistência. Gabriel Magno (PT) afirmou que o financiamento previsto serviria para manter o “BRB de pé”, mas relatou ausência de dados detalhados na apresentação feita aos parlamentares.

Diante do impasse, o projeto de socorro ao BRB coloca o Distrito Federal diante de escolha fiscal sensível. A decisão da Câmara definirá o nível de exposição do governo ao risco bancário e o alcance público das consequências.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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