O 5º dia da guerra entre Irã, Estados Unidos (EUA) e Israel ampliou os ataques pelo Oriente Médio nesta quarta-feira (04/03), com bombardeios em novas áreas da região e resposta militar iraniana. O conflito já deixou mais de mil mortos no Irã, abriu confrontos em países vizinhos e elevou a tensão global, em meio à disputa política pela sucessão do líder supremo iraniano e ao risco para o fluxo mundial de petróleo.
A ofensiva começou no sábado (28/02), quando forças americanas e israelenses bombardearam instalações militares e nucleares do Irã. Durante os ataques iniciais, morreu Ali Khamenei, líder supremo do país. A morte do dirigente desencadeou o processo de escolha de um novo líder supremo, citado entre os fatores que ampliam a tensão política no conflito.
5º dia da guerra amplia alcance dos ataques
Ao longo do 5º dia da guerra, Israel afirmou ter realizado novos bombardeios contra Teerã. Além disso, a Força Aérea israelense declarou que já lançou cerca de 5 mil bombas desde o início da ofensiva e segue atacando bases militares, sistemas de defesa aérea e locais ligados a mísseis.
Ao mesmo tempo, autoridades militares dos EUA afirmam ter atingido cerca de 2 mil alvos no Irã, além de afundar 17 embarcações e um submarino iraniano. Segundo o Comando Central americano, as operações buscam reduzir a capacidade militar do país.
Em resposta, o Irã lançou 500 mísseis balísticos e cerca de 2 mil drones contra Israel e contra países do Golfo que abrigam bases americanas. Além disso, projéteis foram registrados em regiões próximas a Jerusalém e também no espaço aéreo de países como Kuwait.
Mortes e novas frentes ampliam crise
Enquanto os ataques continuam, o impacto humano cresce rapidamente. A mídia estatal iraniana confirmou que 1.045 pessoas morreram no país, enquanto o Crescente Vermelho relata 740 feridos e ataques em 153 cidades.
Além do Irã, outros países também registraram vítimas. Há mortes confirmadas em Israel, Líbano, Kuwait, Bahrein, Omã e Emirados Árabes Unidos, além de seis militares americanos mortos após um ataque contra uma base no Kuwait.
Paralelamente, a guerra abriu uma segunda frente no Líbano, onde Israel combate o grupo Hezbollah. Nessa região, bombardeios no sul do país deixaram dezenas de mortos e provocaram mais de 83 mil deslocados, segundo autoridades locais.
Disputa política e ameaça ao petróleo
Enquanto o conflito avança, a morte de Khamenei iniciou uma disputa pela liderança do regime iraniano. A Assembleia dos Peritos, formada por 88 aiatolás, conduz o processo de escolha do novo líder supremo. Entre os nomes citados, aparece Mojtaba Khamenei, filho do antigo dirigente.
Por outro lado, Israel declarou que continuará a ofensiva contra a liderança iraniana. O ministro da Defesa, Israel Katz, declarou que qualquer sucessor que mantenha confronto com Israel poderá ser alvo militar.
Ao mesmo tempo, o Irã afirma ter controle total do Estreito de Ormuz, passagem por onde circula cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. Por isso, o bloqueio da rota elevou a tensão energética e ampliou a preocupação de governos europeus.
Nesse cenário, o 5º dia da guerra mostra um conflito que deixou de ser apenas bilateral. Com ataques espalhados por diferentes países, disputa de poder no Irã e pressão sobre o petróleo global, o confronto passa a testar os limites de segurança em todo o Oriente Médio.