Prisão de Daniel Vorcaro leva PF a nova ofensiva no caso Banco Master

A prisão de Daniel Vorcaro marca nova fase da investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master. O caso envolve suspeitas de venda de títulos de crédito falsos e levou a Justiça a determinar bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens ligados ao grupo investigado. Saiba mais.
Prisão de Daniel Vorcaro durante operação da Polícia Federal no caso Banco Master
Polícia Federal cumpre mandado que resultou na prisão de Daniel Vorcaro na investigação sobre o Banco Master. (Foto: Reprodução/Banco Master)

Na manhã desta quarta-feira (4/3), a Polícia Federal (PF) cumpriu o mandado de prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em São Paulo. A medida integra investigação que apura a venda de títulos de crédito falsos e outras fraudes financeiras associadas à instituição.

A prisão de Daniel Vorcaro ocorre na terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal com apoio do Banco Central do Brasil (BC). A ação inclui também mandados de busca e apreensão e outras medidas judiciais. O cenário, contudo, indica avanço relevante da apuração.

Prisão de Daniel Vorcaro ocorre na terceira fase da operação

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a prisão de Daniel Vorcaro após assumir a relatoria do caso no mês passado. A decisão judicial determinou quatro mandados de prisão preventiva e 15 ordens de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais.

Além de Vorcaro, foram alvo da operação da PF Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, o coordenador de segurança Luiz Phillipi Mourão, apelidado de “Sicário”, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

Além das prisões, a Justiça determinou sequestro e bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões. Segundo os investigadores, a medida busca interromper a circulação de ativos ligados ao grupo investigado e preservar valores possivelmente relacionados às práticas ilícitas. Portanto, além do impacto financeiro, surge uma fragilidade institucional.

Fraude com títulos de crédito está no foco da investigação

De acordo com a Polícia Federal, a investigação analisa a venda de títulos de crédito falsos ligados ao Banco Master. Além disso, os investigadores também apuram crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, ameaça e invasão de dispositivos informáticos.

Nesse contexto, a prisão de Daniel Vorcaro faz parte de um conjunto de medidas voltadas a investigar a atuação de uma possível organização criminosa financeira. O nome da operação, inclusive, faz referência à ausência de controles internos capazes de impedir crimes de gestão fraudulenta e manipulação de mercado.

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Histórico do caso amplia pressão sobre o banqueiro

A prisão desta quarta não é o primeiro episódio judicial envolvendo Daniel Vorcaro. Em 17 de novembro de 2025, a Polícia Federal deteve Daniel Vorcaro no Aeroporto Internacional de Guarulhos quando ele tentava embarcar em um jato particular rumo ao exterior. Na ocasião, deixou a prisão doze dias depois e passou a responder ao processo em liberdade com monitoramento eletrônico.

A ordem de prisão de Daniel Vorcaro decorre da análise de mensagens encontradas no celular do banqueiro. Segundo apuração de jornais, as conversas incluiriam um grupo de WhatsApp chamado “A turma”, no qual teriam sido discutidas ações violentas contra adversários. Entre elas, uma possível simulação de assalto a um jornalista, onde Luiz Phillipi deveria “quebrar todos os dentes” do jornalista por reportagens contrárias a Vorcaro.

Além disso, Vorcaro também era esperado para depor na CPI do Crime Organizado, em Brasília. Ele havia sinalizado que compareceria apenas à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Na terça-feira (3/3), o ministro André Mendonça decidiu que a presença na CPI seria facultativa. O bloqueio bilionário de ativos e o envolvimento direto do STF, porém, indicam que o caso produzirá desdobramentos regulatórios e institucionais.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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