Prisão de José Dumont: ex-ator da Globo é condenado por estupro de vulnerável

A prisão de José Dumont ocorreu após condenação definitiva a 9 anos e 4 meses por estupro de vulnerável. O ex-ator da Globo foi detido no Rio após decisão do TJ-RJ baseada em vídeos, depoimentos e provas reunidas desde 2022.
Prisão de José Dumont pela Polícia Civil do Rio após condenação por estupro de vulnerável
Polícia Civil do Rio conduz o ex-ator da Globo José Dumont após cumprimento de mandado de prisão por condenação por estupro de vulnerável. Foto: Reprodução

A prisão de José Dumont, ex-ator da Globo, ocorreu na manhã desta quarta-feira (04/02), no bairro do Flamengo, na zona sul do Rio de Janeiro, após agentes da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) cumprirem mandado expedido pela Justiça em razão da condenação definitiva do por estupro de vulnerável.

Após localizarem o artista, policiais conduziram o ator de 75 anos ao sistema prisional. A decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) fixou pena de 9 anos e 4 meses de reclusão em regime fechado, encerrando a fase criminal do processo iniciado em 2022.

Prisão de José Dumont cumpre sentença de 9 anos e 4 meses

A prisão de José Dumont representa o cumprimento do mandado expedido após o trânsito em julgado da condenação, etapa em que não cabem mais recursos na esfera criminal.

A sentença também determinou que o ex-ator da Globo pague indenização mínima de R$ 10 mil à vítima, com juros de 1% ao mês desde o crime e correção monetária a partir da data da decisão judicial. Além do impacto penal, surge um conjunto de provas que sustentou a condenação.

Prisão de José Dumont: vídeos e depoimentos sustentaram a condenação

Segundo o juiz Daniel Werneck Cotta, responsável pelo caso, as provas analisadas, especialmente imagens de câmeras de segurança e o depoimento especial da vítima, confirmaram de forma “inequívoca” os atos atribuídos ao ator.

A decisão descreve episódios registrados em 30 de julho e 1º de agosto de 2022, quando Dumont teria beijado o menino na boca e tocado partes íntimas por cima da roupa dentro do prédio onde morava. O processo indica que as gravações mostram o ator abraçando a vítima e tocando diferentes partes do corpo.

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Investigações começaram após suspeitas no condomínio

As investigações que culminaram na prisão de José Dumont começaram após moradores notarem a presença frequente de um menino de 11 anos no apartamento do ator. O garoto era filho de uma ambulante que trabalhava nas imediações do prédio.

Vizinhos acionaram autoridades, o que levou à atuação da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV). A apuração ganhou força quando câmeras de segurança registraram beijos e carícias entre o ator e outro adolescente, fato que ampliou a investigação.

Durante o processo, a vítima relatou que passou a receber presentes e dinheiro do ator e que os encontros ocorriam na portaria do condomínio. Segundo o depoimento, Dumont pedia que a vítima mantivesse os episódios em segredo e chamava o ocorrido de ‘nosso segredinho’.

Testemunhas, incluindo porteiros e a síndica do edifício, confirmaram ao juízo que visualizaram as gravações. A mãe e o padrasto da vítima também relataram mudanças no comportamento do adolescente após os fatos.

Em 15 de setembro de 2022, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão no bairro do Catete, policiais prenderam o ator em flagrante e localizaram 240 arquivos de pornografia infantil armazenados em computador e celular.

Na ocasião, Dumont declarou em depoimento que utilizaria o material em um suposto ‘trabalho’. O episódio teve impacto imediato na carreira do artista.

Repercussão do caso no meio artístico

Após o caso vir à tona, a TV Globo retirou o ator do elenco de uma novela, substituindo-o por Jackson Antunes. O festival Cinefantasy também cancelou uma homenagem que estava prevista ao artista.

A trajetória do processo indica que o desfecho judicial resultou de um conjunto de imagens, testemunhos e depoimentos considerados consistentes pela Justiça.

Com a execução da pena, a prisão de José Dumont encerra a etapa criminal do caso que ganhou repercussão nacional no meio artístico e jurídico. A decisão reforça o entendimento do Judiciário sobre a gravidade de crimes contra menores e a aplicação de punições em regime fechado.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1 News Brasil, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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