A saída de Gleisi Hoffmann do comando da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República ocorreu nesta quarta-feira (04/03). A própria ministra informou que deixará o cargo em 31 de março para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná nas eleições deste ano.
O anúncio ocorreu durante o seminário Brasil pela Vida das Meninas e Mulheres, no Palácio do Planalto, em Brasília. No encontro, além da confirmação da saída, a ministra apresentou um dado que direcionou o debate público: 13% das vítimas de feminicídio no país tinham medida protetiva quando foram mortas.
Saída de Gleisi Hoffmann e mudança na articulação do governo
Olavo Noleto assumirá a Secretaria de Relações Institucionais. Atualmente ele ocupa o cargo de secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), conhecido como Conselhão.
A mudança segue o prazo previsto na legislação eleitoral, que exige a saída de integrantes do governo interessados em disputar cargos eletivos. Por isso, Gleisi optou por deixar o cargo ainda em março.
Além disso, a Secretaria de Relações Institucionais exerce papel estratégico na interlocução entre o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e governos estaduais. Assim, o responsável pela pasta conduz negociações políticas e acompanha projetos de interesse do Executivo no Legislativo.
Nesse contexto, a saída de Gleisi ocorre enquanto o governo federal busca consolidar sua base política e ampliar presença no Congresso nas eleições de 2026.
Dado sobre medidas protetivas pressiona políticas públicas
Durante o seminário, Gleisi chamou atenção para a proporção de mulheres assassinadas mesmo sob proteção judicial. Segundo a ministra, o índice exige debate sobre a efetividade imediata das medidas protetivas concedidas a vítimas de violência.
“É um problema cultural da nossa sociedade, que vem da educação”, afirmou.
Ao mesmo tempo, ela observou que o Brasil ampliou a presença feminina em espaços de poder. Ainda assim, desigualdades entre homens e mulheres continuam presentes.
Por outro lado, a permanência de altos índices de violência indica limites nas políticas atuais de proteção às vítimas.
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Governo mobiliza pacto entre Poderes
O encontro no Palácio do Planalto integra as primeiras discussões do Pacto Brasil entre os Três Poderes, que Executivo, Legislativo e Judiciário lançaram em fevereiro com foco no enfrentamento ao feminicídio.
Dessa forma, a iniciativa busca coordenar políticas de prevenção, proteção, responsabilização e garantia de direitos, além de fortalecer a rede de atendimento às vítimas.
Entre os participantes do evento esteve a ativista Maria Penha Maia Fernandes, que sobreviveu a duas tentativas de feminicídio. Posteriormente, o caso dela deu origem à Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), principal mecanismo legal brasileiro de combate à violência doméstica.
A ministra também relembrou que o direito ao voto feminino no Brasil surgiu na década de 1930. Com isso, ela destacou o processo histórico de inserção das mulheres na vida pública brasileira.
Nesse cenário, a saída de Gleisi Hoffmann ocorre enquanto o governo tenta transformar dados sobre violência em agenda de política pública. Ao mesmo tempo, a troca no comando da articulação política coincide com a pressão por respostas mais rápidas diante das falhas na proteção de mulheres ameaçadas.