Novo consignado do Banco Master aparece em análise do INSS com indícios de fraude

O consignado do Banco Master entrou na análise do INSS após contratos apresentarem nomes duplicados, ausência de assinatura e omissão de juros. A investigação conduzida com a CGU pode levar casos à esfera criminal. Saiba mais.
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INSS analisa contratos ligados ao consignado do Banco Master após identificar inconsistências e possíveis fraudes. (Foto: Pedro França/Agência Senado)

Um novo consignado do Banco Master, até então fora do radar das apurações internas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), entrou na mira da autarquia após a identificação de contratos com possíveis irregularidades. Documentos analisados apresentam nomes duplicados, ausência de assinatura verificável e omissão de informações sobre juros.

A suspeita surgiu durante revisão contrato a contrato conduzida na última semana em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU). Segundo o INSS, parte das operações associadas ao novo consignado não possui autorização formal para desconto direto em benefícios previdenciários.

Consignado do Banco Master e o produto M Fácil

O foco da apuração recai sobre o M Fácil Consignado, produto ofertado pelo banco e considerado pelo INSS equivalente ao Credcesta, modalidade criada em 2018 pelo empresário Augusto Lima.

Nos documentos analisados, o consignado do Banco Master apresenta inconsistências relevantes. Entre elas aparecem contratos sem assinatura válida, ausência de informações claras sobre taxas. Além disso, registros que dificultam confirmar a autenticidade da adesão do beneficiário.

Segundo o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, as duas modalidades não fazem parte das linhas autorizadas pela autarquia. “Para o INSS, é como se M Fácil Consignado e Credcesta não existissem”, afirmou.

Estrutura de crédito dificulta verificação

A análise do consignado do Banco Master indica que parte das operações envolve migração de crédito comum para consignado, processo que permite a cobrança das parcelas diretamente no benefício previdenciário.

De acordo com Waller Júnior, essa estrutura limita a capacidade de verificação do próprio INSS. A autarquia não possui acesso para quebrar sigilo bancário ou confirmar encargos aplicados nos contratos.

“Quando há a migração de um crédito para o consignado, essa migração já ocorre com várias irregularidades”, declarou o presidente do instituto.

Expansão do produto e ruptura institucional

O Credcesta, considerado semelhante ao consignado do Banco Master, começou a operar em 2018 e posteriormente ampliou presença pelo país. Até o final de 2024, o produto alcançava 24 estados e 176 municípios.

Além disso, uma medida provisória publicada em 2022 permitiu a oferta de cartões de benefício desse tipo a aposentados e pensionistas do INSS.

Entre setembro de 2020 e setembro de 2025, o Banco Master operou linhas de consignado do INSS por meio de acordo de cooperação técnica com o governo federal. O acordo, portanto, deixou de ser renovado diante da crise institucional do banco.

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Investigação sobre consignado do Banco Master amplia pressão

A análise do consignado do Banco Master pode avançar para outras instâncias. O INSS informou que os contratos identificados devem ser encaminhados à esfera criminal, diante dos indícios de fraude.

O caso também se conecta a investigações envolvendo executivos do banco. Em 17 de novembro, a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro e Augusto Lima sob suspeita de fraude na venda de carteiras de crédito ao BRB (Banco de Brasília).

A Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro novamente nesta quarta-feira (04/03), durante nova fase da Operação Compliance Zero, que apontou a existência de um grupo ligado ao ex-banqueiro voltado ao monitoramento e intimidação de adversários. Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que o banco sempre atuou em estrita observância às normas e procedimentos do INSS para concessão de crédito consignado.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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