Casos de mpox crescem e evidenciam risco silencioso após festas de carnaval

Os casos de mpox chegaram a 88 em 2026 no Brasil. Autoridades e infectologistas apontam que maior interação social pode favorecer a transmissão, embora o cenário ainda esteja distante do surto global de 2022. O SUS mantém vigilância para evitar nova escalada da doença
Lesões de mpox na pele de paciente com infecção viral monitorada no Brasil
Lesões de mpox aparecem como erupções na pele e podem permanecer por até quatro semanas, período em que o vírus ainda pode ser transmitido por contato próximo. Foto: Agência Brasil

Os casos de mpox chegaram a 88 registros confirmados no Brasil em 2026, segundo atualização do Ministério da Saúde divulgada nesta quinta-feira (05/03). A maior concentração está em São Paulo (62) e no Rio de Janeiro (15), com ocorrências também em outros estados.

O ministério da Saúde afirma que a maioria dos diagnósticos apresenta evolução clínica leve ou moderada e que não há mortes registradas neste ano. Mesmo assim, as autoridades mantêm vigilância epidemiológica ativa. O cenário, contudo, revela outra camada.

Ainda segundo a pasta, a mpox se transmite principalmente por contato próximo com lesões de pele, fluidos corporais ou mucosas de pessoas infectadas, além de interações físicas prolongadas.

Carnaval amplia exposição e preocupa epidemiologistas

Os especialistas em saúde coletiva observam que períodos de grande circulação social podem ajudar a explicar o aumento do número de casos de mpox. Festas, viagens e encontros íntimos ampliam redes de contato, que é a principal forma de transmissão do vírus.

O infectologista Álvaro Furtado Costa afirma que “a alta recente pode dialogar com a intensificação dessas interações”. Segundo ele, embora exista aumento de registros, o cenário atual não se aproxima da escala observada no surto global de 2022. O quadro, ainda assim, exige monitoramento, pois, além do impacto imediato, surge uma fragilidade.

Com o término do Carnaval, as pessoas devem ficar atentas à saúde. Os sintomas mais frequentes da mpox incluem erupções cutâneas, febre e dores musculares. As lesões podem permanecer por duas a quatro semanas, período em que o vírus continua transmissível por contato físico.

Casos de mpox testam vigilância do sistema de saúde

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a mpox se espalha principalmente por contato físico direto entre pessoas, especialmente em redes sociais próximas, e exige resposta coordenada de vigilância e prevenção para interromper a transmissão dos casos de mpox. Lesões de mpox na pele, sintoma característico da doença

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) mantém protocolos de notificação, diagnóstico laboratorial e rastreamento de contatos para limitar cadeias de transmissão de casos de mpox. Autoridades sanitárias afirmam que o monitoramento busca evitar expansão silenciosa do vírus.

Outro fator considerado importante por epidemiologistas é o aumento da busca por diagnóstico e testagem após maior divulgação da doença. Isso pode elevar o número de notificações sem indicar necessariamente uma expansão acelerada da infecção. Por isso, os especialistas destacam que a comunicação sobre prevenção e sintomas permanece fundamental. Informações claras ajudam a reduzir exposição e permitem diagnóstico precoce.

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Sobre a mpox

A Mpox é uma zoonose viral, ou seja, uma doença infecciosa transmitida de animais para humanos, pelao mpox vírus (MPXV), do gênero Orthopoxvirus e família Poxviridae. O período de incubação (intervalo entre o primeiro contato com o vírus e o início dos sintomas da Mpox) é geralmente de 6 a 13 dias, e pode variar entre 5 e 21 dias.

Sintomas da mpox:

  • Febre
  • Fadiga
  • Fraqueza
  • Dor de cabeça
  • Dor muscular

As erupções cutâneas ou lesões na pele são a principal característica da doença. Essas lesões costumam aparecer dentro de um a três dias após o início da febre e são preenchidas por um líquido claro ou amarelo, podendo formar crostas que secam e caem. As lesões tendem a se concentrar no rosto, na palma das mãos e nas pontas dos pés. No entanto, também podem surgir em regiões como boca, olhos, órgãos genitais e ânus, causando desconforto e coceira.

O diagnóstico da mpox é realizado a partir da coleta de amostras da secreção presente nas lesões de pele da pessoa com suspeita da doença. Atualmente, não existe um tratamento específico para Mpox: o principal objetivo é aliviar os sintomas, prevenir e tratar complicações e evitar sequelas. Isso pode incluir medicamentos para alívio da dor e febre e cuidados específicos para as lesões.

Já a prevenção consiste em evitar contato próximo com pessoas infectadas até o desaparecimento dos sintomas, e não compartilhar objetos e material de uso pessoal, como toalhas e roupas de cama.

Foto de Ivana Sant'Anna

Ivana Sant'Anna

Ivana Sant’Ana é jornalista com experiência em redação, radiojornalismo e produção de conteúdo digital. Atuou em veículos como BandNews FM, Metrópoles e Jornal de Brasília, além de passagens pela Rádio Nacional. Também trabalhou na cobertura de pautas públicas e institucionais ligadas ao governo federal e ao Congresso Nacional.

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