Atraso no Pé-de-Meia adia bônus de alunos e empurra pagamento para junho

O atraso no Pé-de-Meia deixou estudantes sem receber bônus prometidos para março. Segundo o MEC, o pagamento depende do envio de dados pelas redes de ensino e pode ocorrer apenas até junho de 2026.
Cartão do programa Pé-de-Meia exibido por estudante após atraso no pagamento do benefício - Foto: MEC/Divulgação
Estudantes relatam atraso no Pé-de-Meia após cronograma de pagamento terminar em março - Foto: MEC/Divulgação

O atraso no Pé-de-Meia, programa do Ministério da Educação (MEC) que paga incentivos financeiros a estudantes de baixa renda do ensino médio público, deixou alunos que concluíram a etapa em 2025 sem receber valores prometidos. O pagamento deveria ter sido concluído até 5 de março de 2026, conforme cronograma divulgado anteriormente para os beneficiários.

O benefício inclui R$ 1 mil pela conclusão do ensino médio, além do desbloqueio de R$ 2 mil acumulados dos anos anteriores e um bônus adicional de R$ 200 para quem participou do Enem. Mesmo assim, diversos alunos afirmam que os valores não apareceram nas contas.

Atraso no Pé-de-Meia adia liberação do bônus

De acordo com o MEC, o atraso ocorre porque redes de ensino ainda não enviaram todas as informações de aprovação dos estudantes. Sem esses dados, o governo afirma que não consegue confirmar quem concluiu o ensino médio e, portanto, não pode liberar os depósitos.

Por isso, o ministério informou que os pagamentos podem ocorrer até junho. Em nota divulgada anteriormente, a pasta orientou os beneficiários a acompanhar a situação na página oficial Consulta Pé-de-Meia.

Segundo o comunicado, caso o pagamento não ocorra nas primeiras datas do calendário, os estudantes devem apenas aguardar a atualização das informações pelas redes de ensino.

Ainda segundo o MEC, os repasses podem acontecer entre 29 de junho e 6 de julho de 2026, dependendo do envio e validação das informações escolares.

Estudantes relatam frustração com atraso

O atraso no Pé-de-Meia gerou reclamações entre beneficiários que contavam com o dinheiro logo após a formatura. Muitos relatam que cumpriram todos os requisitos do programa e mesmo assim não receberam os valores.

A estudante Anna Fablicio, de 18 anos, afirma que dependia do recurso para iniciar novos estudos. “Mesmo tendo finalizado a escola e atendendo a todos os requisitos do programa, não recebi o pagamento”, disse.

Ela afirma que planejava usar o valor para pagar um cursinho pré-vestibular e comprar um notebook para estudar.

Outro estudante, Antonio Marcos, que concluiu o ensino médio em dezembro de 2025, afirma que o pagamento sequer aparece em previsões bancárias.

“Era para eu ter recebido em 28 de fevereiro, mas o depósito continua zerado”, relatou.

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Como funciona o pagamento do programa

O Pé-de-Meia prevê diferentes incentivos financeiros para estudantes de baixa renda matriculados no ensino médio público.

Os alunos recebem R$ 200 mensais ao longo do ano letivo. Além disso, o programa paga R$ 1.800 anuais em parcelas condicionadas à frequência escolar, desde que o estudante mantenha presença mínima de 80% das aulas.

Ao final de cada ano do ensino médio, o governo deposita R$ 1 mil, valor que fica retido e só pode ser sacado após a conclusão da etapa escolar.

Há também um bônus adicional de R$ 200 para quem participa do Enem no último ano.

Atraso no Pé-de-Meia expõe dependência de dados das redes de ensino

O atraso no Pé-de-Meia revela uma dependência operacional do programa em relação ao envio de dados pelas redes de ensino estaduais. Essas informações são necessárias para confirmar matrícula, frequência e aprovação dos alunos. Apenas depois dessa validação o governo consegue autorizar o pagamento.

Nesse cenário, o episódio indica um desafio administrativo do programa. Embora os incentivos financeiros tenham sido estruturados para estimular permanência escolar, o atraso nos depósitos pode afetar o planejamento de estudantes que esperavam utilizar o dinheiro logo após concluir o ensino médio.

Foto de Jussier Lucas.

Jussier Lucas.

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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