O número recorde de feminicídios no Brasil atingiu novo patamar em 2025, com 1.470 mulheres assassinadas, superando os cerca de 1.450 casos registrados em 2024. Os dados oficiais do governo federal indicam uma média próxima de quatro mortes por dia, segundo levantamentos de segurança pública.
Esse recorde de feminicídios surge às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado no próximo domingo (08/03) e amplia o alerta sobre a capacidade do país de interromper ciclos de violência doméstica. Especialistas no tema apontam que a maioria das mortes ocorre após histórico de agressões anteriores. O cenário, contudo, revela um problema mais profundo.
Recorde de feminicídios expõe falha na proteção às vítimas
Uma grande parte dos números desse recorde de feminicídios ocorre dentro de casa. Dados de segurança indicam que mais de 70% dos crimes são cometidos por parceiros ou ex-parceiros, o que transforma relações afetivas em ambientes de alto risco para milhares de mulheres.
Além disso, muitas vítimas já haviam sofrido agressões antes do crime. O histórico inclui ameaças, violência física e episódios recorrentes de controle por parte do agressor. Mesmo assim, nem todos os casos chegam às autoridades.
Outro fator apontado por investigadores é a subnotificação das agressões. Pesquisas indicam que apenas cerca de um quarto das mulheres vítimas de violência registra denúncia. O medo de represálias, a dependência financeira e a preocupação com filhos dificultam a busca por ajuda.
A delegada da Polícia Civil de São Paulo, Dannyella Gomes Pinheiro, explica que esse comportamento é recorrente. “Muitas mulheres acreditam que o agressor pode mudar e evitam denunciar por causa dos filhos ou da dependência econômica.” Os depoimentos das vítimas ajudam a explicar porque o recorde de feminicídios ocorre após anos de agressões anteriores. Além do impacto, o recorde de feminicídios revela uma fragilidade estrutural.
Justiça enfrenta dificuldade para acompanhar casos
O que esperar do combate ao feminicídio no Brasil em 2026
Os especialistas em direitos das mulheres afirmam que a evolução do recorde de feminicídios em 2026 dependerá da expansão da rede de proteção e da capacidade de interromper ciclos de violência antes que atinjam o estágio mais grave. Eles avaliam que três fatores serão determinantes: aumento das denúncias, fortalecimento das delegacias especializadas e monitoramento efetivo de agressores que descumprem medidas protetivas.
Além disso, políticas voltadas à autonomia econômica feminina tendem a reduzir a dependência financeira que mantém muitas vítimas em relações violentas.
Além disso, especialistas e autoridades reforçam que ampliar as denúncias de violência doméstica é um dos principais fatores para reduzir o feminicídio. O Ministério das Mulheres destaca que canais como o Ligue 180, que funciona 24 horas e recebe denúncias em todo o país, permitem acionar rapidamente a rede de proteção. Para investigadores, quanto mais cedo a agressão é registrada, maiores são as chances de aplicar medidas protetivas da Lei Maria da Penha e impedir que a violência avance para um desfecho fatal.