STF julga denúncia que pode tornar Malafaia réu por ataques a generais

O caso Malafaia réu no STF começou a ser analisado pela Primeira Turma após denúncia da PGR por injúria e calúnia contra generais do Exército. O voto do relator Alexandre de Moraes abre caminho para ação penal se a maioria acompanhar.
Silas Malafaia ao lado de Jair Bolsonaro durante manifestação na Avenida Paulista em São Paulo - Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Silas Malafaia participa de manifestação na Avenida Paulista ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro; STF analisa denúncia que pode tornar o pastor réu por declarações contra generais do Exército. - Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a analisar nesta sexta-feira (06/03) a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra o pastor Silas Malafaia por injúria e calúnia contra generais do Exército. No julgamento que pode tornar Malafaia réu no STF, a Primeira Turma da Corte avalia as declarações feitas pelo líder religioso durante manifestação pública.

O caso corre em plenário virtual. A PGR apresentou a acusação ao Supremo em 18 de dezembro de 2025. Segundo os procuradores, as declarações de Malafaia ocorreram durante manifestação realizada em 6 de abril de 2025, na Avenida Paulista, em São Paulo.

Malafaia réu no STF: discurso contra generais

De acordo com a Procuradoria-Geral da República, Silas Malafaia dirigiu críticas ao Alto Comando do Exército, incluindo o comandante da força, general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva.

Durante o discurso, o pastor chamou os oficiais de quatro estrelas de “cambada de frouxos”, “cambada de covardes” e “cambada de omissos”. Além disso, ele falou diante de apoiadores no ato e depois publicou os vídeos nas redes sociais.

Para a PGR, as declarações tiveram o objetivo de constranger e ofender publicamente os oficiais-generais, atingindo autoridades militares em razão dos cargos que ocupam.

Além das ofensas, a Procuradoria afirma que o pastor também atribuiu falsamente a prática de crime militar aos generais, ao comentar a prisão do general Walter Braga Netto.

Voto de Moraes e avanço do processo

No julgamento que pode levar a Malafaia réu no STF, o relator Alexandre de Moraes votou para que a Corte receba a denúncia.

Caso a maioria acompanhe o voto, o Supremo abrirá ação penal contra o pastor, e o processo avançará para a fase de produção de provas.

Segundo Moraes, a acusação apresentada pela Procuradoria reúne os requisitos legais para abertura do processo criminal.

“Assim, fica evidenciado que o discurso acusatório permitiu ao denunciado a total compreensão da imputação contra ele formulada”, afirmou o ministro no voto.

Além disso, Moraes destacou que a análise detalhada sobre eventual intenção criminosa deverá ocorrer durante o julgamento da ação penal, quando a defesa poderá apresentar argumentos e provas.

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Defesa tenta barrar processo

Enquanto o julgamento sobre Malafaia réu no STF ocorre, os advogados do pastor pediram o arquivamento da denúncia.

A defesa sustenta que não existe base jurídica para abertura da ação penal e, por isso, questiona a competência do STF para julgar o caso.

Além disso, os advogados apontam ausência de justa causa para o processo. Eles também afirmam que o pastor fez retratação pública, o que, segundo a defesa, poderia extinguir a punibilidade.

A análise ocorre na Primeira Turma do STF, formada pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Moraes.

Os votos podem ser registrados no sistema eletrônico da Corte até meados de março. Assim, o julgamento sobre Malafaia réu no STF deve definir se o episódio envolvendo críticas ao Alto Comando do Exército seguirá para uma ação penal.

A decisão também pode influenciar como o Supremo avalia discursos políticos dirigidos a autoridades militares em manifestações públicas.

Foto de Jussier Lucas.

Jussier Lucas.

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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