Moraes nega mensagens de Vorcaro após prints e cita análise técnica

Moraes nega mensagens de Vorcaro após análise técnica do STF indicar que prints divulgados não correspondem ao contato do ministro nos dados telemáticos do banqueiro. A identidade do destinatário real permanece sob sigilo judicial no processo investigativo.
Alexandre de Moraes durante sessão do STF ao negar mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro
Ministro Alexandre de Moraes negou ter recebido mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro após análise técnica do STF. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom - Agência Brasil

Após a divulgação de prints de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, o ministro Alexandre Moraes nega mensagens de Vorcaro com base em análise técnica realizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), divulgada na noite desta sexta-feira (06/03). O exame dos dados telemáticos do executivo indicou que os registros não correspondem ao contato do ministro nos arquivos apreendidos.

Segundo nota divulgada pela Secretaria de Comunicação do STF, a verificação foi realizada após os dados se tornarem públicos no âmbito da CPMI do INSS. A análise apontou que os registros presentes no material examinado não indicam envio ao contato associado ao ministro Alexandre de Moraes.

Moraes nega mensagens de Vorcaro e STF apresenta análise técnica

Na manifestação oficial, o Supremo informou que os prints atribuídos ao banqueiro aparecem vinculados a pastas de outros contatos presentes na lista telefônica de Vorcaro. Assim, segundo o STF, o material apreendido não demonstra envio ao ministro.

“Os prints dessas mensagens enviadas por Vorcaro estão vinculadas a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes.”

A nota afirma que os investigadores realizaram a análise técnica com base no conteúdo extraído do celular do executivo. O exame buscou verificar a correspondência entre mensagens armazenadas e os contatos presentes nos arquivos digitais.

Ainda segundo o comunicado, as mensagens de visualização única registradas em 17 de novembro de 2025 não correspondem ao contato de Alexandre de Moraes nos dados analisados. Além do impacto institucional, surge uma fragilidade na interpretação inicial dos prints divulgados.

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Reportagem divulgou prints atribuídos ao banqueiro

A controvérsia ganhou dimensão pública após reportagem publicada na madrugada de sexta-feira (06/03) pelo blog da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. O texto apresentou novos prints atribuídos a Daniel Vorcaro, que teriam sido enviados ao ministro.

Os investigadores registraram as mensagens em 17 de novembro de 2025, poucas horas antes da primeira prisão do banqueiro. O material circulou após a divulgação de dados telemáticos pela CPMI do INSS, comissão parlamentar que analisa irregularidades ligadas ao sistema previdenciário.

Diante da repercussão, Moraes nega mensagens de Vorcaro e afirma que os registros exibidos não correspondem ao seu contato nos arquivos examinados pelo Supremo.

Sigilo impede divulgação do verdadeiro destinatário

Apesar da negativa, o STF informou que não pode revelar quem seria o destinatário das mensagens identificadas nos arquivos digitais. A restrição ocorre por causa do sigilo decretado pelo ministro André Mendonça no processo investigativo.

“Os nomes e contatos das pessoas vinculadas aos respectivos arquivos não serão mencionados na presente nota em virtude do sigilo decretado pelo ministro André Mendonça.”

Segundo a nota, os nomes e contatos associados aos arquivos existem no material que a CPMI disponibilizou à imprensa. Entretanto, o Supremo informou que não pode divulgar essas informações publicamente.

Nesse contexto, Moraes nega mensagens de Vorcaro com base na análise técnica dos arquivos digitais apreendidos, mas a identidade do contato associado permanece protegida pelo segredo judicial.

Com isso, o episódio passa a integrar um cenário mais amplo de disputa de versões dentro de investigações que envolvem dados telemáticos, registros digitais e divulgação de material apreendido. Em casos desse tipo, a interpretação técnica dos arquivos costuma se tornar elemento decisivo para definir responsabilidades institucionais.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1 News Brasil, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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