Um apartamento cobertura pertencente a Daniel Vorcaro, avaliado em R$ 60 milhões, entrou em negociação para venda em 17 de novembro de 2025, no mesmo dia em que a Justiça Federal expediu o primeiro mandado de prisão do ex-banqueiro. Emails encontrados pela Polícia Federal mostram que representantes do empresário pressionaram para concluir a operação ainda naquela data.
As mensagens registram pedidos sucessivos de documentos e da assinatura digital do contrato. A troca envolve a corretora responsável pela intermediação, administradores do empreendimento e o advogado Bruno Bianco, ex-advogado-geral da União. O cenário, contudo, revela uma corrida para tentar fechar a transação.
Apartamento de Daniel Vorcaro aparece em emails da negociação
O apartamento de Daniel Vorcaro fica na cobertura tríplex do empreendimento Vizcaya Itaim, na avenida Horácio Lafer, em São Paulo. O arquiteto João Armentano assina o projeto arquitetônico que, inclusive, conta com 12 vagas de garagem.
A negociação começou na sexta-feira anterior, 14 de novembro de 2025. Regiane Bernardes, corretora da Victorino Imóveis encarregada de conduzir a operação, enviou email à Bolsa de Imóveis solicitando documentos para organizar a cessão do imóvel.
Na mensagem, ela confirmou o valor do negócio. “Informo que o valor da cessão é de R$ 60 milhões”, escreveu. No mesmo contato, acrescentou que o prazo para concluir a operação seria curto.
Urgência marcou os emails no dia da prisão
Na manhã de 17 de novembro, a representante voltou a cobrar o envio dos documentos. O objetivo era permitir a assinatura digital do compromisso de compra e venda ainda naquele dia.
O apartamento de Daniel Vorcaro dependia da aprovação das empresas responsáveis pelo empreendimento. Uma advogada explicou nas mensagens que a validação também precisava passar pela Lucio Engenharia, parceira na incorporação.
Bruno Bianco respondeu pelo lado interessado na compra. Segundo ele, a negociação estava avançada, mas não poderia prosseguir sem o envio do termo de quitação do imóvel.
Empresa ligada ao empresário aparecia como proprietária
Os emails indicaram que o apartamento de Daniel Vorcaro pertencia à Viking, empresa associada ao empresário. A companhia ficou conhecida por possuir aeronaves utilizadas pelo banqueiro.
Em 17 de setembro de 2025, dois meses antes da prisão, Vorcaro vendeu 55% da Viking para um fundo administrado pela Reag e deixou formalmente o cargo de administrador da empresa.
Mesmo após essa mudança societária, as mensagens mostram que ele seguia ligado ao ativo. O empresário aparece copiado nos emails enquanto a corretora afirma ter sido designada por ele para tratar da negociação.
Apartamento de Daniel Vorcaro ainda era tratado sob sua autorização
Às 16h35 de 17 de novembro, Vorcaro confirmou por email que a representante tinha autonomia para agir em seu nome na negociação do imóvel. Um minuto antes, às 16h34, a Justiça Federal havia expedido o mandado de prisão, segundo informações citadas em um pedido de habeas corpus da defesa.
Horas antes, inclusive, o empresário havia se reunido com diretores do Banco Central. De acordo com seus advogados, ele informou que viajaria aos Emirados Árabes Unidos para tratar da venda do Banco Master à financeira Fictor e a investidores internacionais.
Enquanto essas tratativas ocorriam, a representante continuou solicitando urgência para concluir a negociação do apartamento de Daniel Vorcaro. Segundo pessoas próximas ao processo, a venda não foi concluída.
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Tentativa de venda se insere no contexto da crise do banco
Sob análise mais ampla, a sequência de emails indica uma tentativa de acelerar a liquidez de um ativo imobiliário de alto valor em meio ao agravamento da crise do Banco Master. A coincidência entre reunião com reguladores, anúncio da venda do banco e a tentativa de alienar o imóvel no mesmo dia revela como decisões patrimoniais podem ocorrer em paralelo a momentos críticos.
Assim, o episódio envolvendo o apartamento de Daniel Vorcaro acrescenta uma dimensão patrimonial ao caso que culminou com a prisão do empresário e a liquidação do banco pelo Banco Central no dia seguinte.