Enxame de drones militares: Exército testa IA para coordenar robôs

O enxame de drones militares apresentado pelo Exército utiliza inteligência artificial para coordenar múltiplos robôs autônomos em operações integradas, reunindo universidades, centros de pesquisa e financiamento público para desenvolver tecnologia militar nacional.
Enxame de drones militares em teste pelo Exército Brasileiro com tecnologia de inteligência artificial - Foto: ST Edmilson/CCSE
Drone utilizado em testes do sistema de enxame de drones militares desenvolvido pelo Exército Brasileiro para operações com robôs autônomos. - Foto: ST Edmilson/CCSE

O Exército Brasileiro apresentou nesta quinta-feira (05/03) um sistema baseado em inteligência artificial para coordenar múltiplos robôs autônomos em operações militares. O projeto de enxame de drones militares prevê a integração entre drones aéreos e veículos terrestres. Esses equipamentos poderão atuar de forma coordenada em missões conjuntas.

A apresentação ocorreu durante atividade do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT). O evento mostrou um demonstrador tecnológico criado pelo Instituto Militar de Engenharia (IME). Assim, a iniciativa busca desenvolver uma arquitetura capaz de conectar diversos equipamentos autônomos em uma rede operacional única.

Enxame de drones militares e a lógica de operação

No modelo apresentado, o enxame de drones militares opera de forma colaborativa. Nesse sistema, cada equipamento compartilha dados em tempo real. Além disso, os dispositivos participam de decisões distribuídas. Assim, o conjunto executa tarefas sem depender de um único comando central.

Além disso, essa arquitetura amplia a capacidade de atuação simultânea em campo. Entre as aplicações previstas estão missões de reconhecimento e vigilância. Ao mesmo tempo, o Exército também considera o uso do sistema em apoio de fogo com drones armados equipados com sensores.

O general de Exército Hertz Pires do Nascimento, chefe do DCT, afirmou que o projeto resulta de pesquisas financiadas pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).

“Estamos apresentando o resultado prático de um dos projetos financiados pela FINEP, o ‘Enxame de Drones’. Teremos drones de reconhecimento e drones armados, equipados com diversos sensores, que nós estamos trabalhando para finalizar até o final deste ano”, afirmou.

Parceria com universidades e centros de pesquisa

O desenvolvimento do sistema reúne pesquisadores do Instituto Militar de Engenharia (IME) e instituições acadêmicas brasileiras. Entre os participantes estão a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Também participam o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).

A parceria ocorre com financiamento da FINEP, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Nesse contexto, a cooperação busca acelerar pesquisas em robótica, inteligência artificial e sistemas autônomos aplicados à defesa.

Durante a apresentação, Carlos Alberto Aragão de Carvalho Filho, diretor de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da FINEP, afirmou que projetos desse tipo ajudam a ampliar o desenvolvimento tecnológico nacional.

Próximos testes do enxame de drone militares e ampliação do sistema

O projeto começou cerca de um ano antes da apresentação pública. Agora ele já está em estágio avançado de desenvolvimento. Assim, os próximos testes devem ampliar o número de drones operando simultaneamente dentro da rede coordenada.

Além disso, os pesquisadores trabalham na integração de realidade virtual e realidade aumentada. Essas ferramentas permitirão que operadores acompanhem e interajam com o sistema durante as missões.

Por outro lado, outra etapa prevista envolve a inclusão de aeronaves de asa fixa e veículos terrestres autônomos. Dessa forma, o número de plataformas capazes de atuar dentro da rede tende a aumentar.

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Impactos para a indústria de defesa

A iniciativa também faz parte de um conjunto mais amplo de pesquisas conduzidas pelo Exército em parceria com a FINEP. Atualmente, a Força desenvolve 48 projetos científicos. Essas iniciativas abrangem defesa cibernética, tecnologias quânticas, sensores, robótica e proteção balística.

Assim, o Exército afirma que o enxame de drones militares pode evoluir para um sistema padronizado de emprego operacional. Caso isso ocorra, a produção poderá envolver empresas da Base Industrial de Defesa brasileira.

Nesse cenário, a combinação entre pesquisa acadêmica, financiamento público e aplicação militar tende a ampliar a capacidade tecnológica nacional em sistemas autônomos e inteligência artificial aplicada à defesa.

Foto de Jussier Lucas.

Jussier Lucas.

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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