A Justiça do Rio de Janeiro determinou, nesta quinta-feira (05/03), o retorno do ex-jogador Bruno Fernandes das Dores de Souza ao sistema prisional após revogar o livramento condicional concedido ao atleta. Assim, a Vara de Execuções Penais confirmou a prisão do goleiro Bruno em regime semiaberto.
O mandado judicial surgiu porque o atleta descumpriu regras impostas pela Justiça. Segundo o processo, ele deixou o estado do Rio de Janeiro sem autorização judicial e, portanto, violou uma das condições básicas para manter o benefício penal. Por isso, a Justiça determinou novamente a prisão do goleiro Bruno.
Prisão do goleiro Bruno ocorre após viagem sem autorização
De acordo com os autos, Bruno viajou para o Acre em 15 de fevereiro, mesmo proibido de sair do estado. Além disso, em 19 de fevereiro, ele entrou em campo pelo Vasco do Acre em uma partida da Copa do Brasil.
Na ocasião, a equipe acabou eliminada nos pênaltis. Ainda assim, para o Judiciário, o deslocamento sem autorização configurou descumprimento direto do livramento condicional, situação que levou à prisão do goleiro Bruno.
Na decisão, o juiz Rafael Estrela Nóbrega afirmou que a conduta demonstrou desrespeito às exigências do benefício.
“No que concerne ao descumprimento das condições do livramento condicional, de fato, as condutas do apenado devem ser encaradas como descaso no cumprimento do benefício que lhe foi concedido”, escreveu o magistrado.
Além disso, o juiz destacou que o condenado recebeu todas as informações sobre as condições impostas pela Justiça. Portanto, segundo ele, Bruno não poderia alegar desconhecimento das restrições.
Defesa anuncia recurso contra a decisão
A defesa confirmou a revogação do livramento condicional em nota assinada pelo escritório Migliorini & Miranda Advogados. Segundo os advogados, a decisão determina o retorno do ex-jogador ao regime semiaberto após a prisão do goleiro Bruno decretada pela Justiça do Rio.
Além disso, os defensores afirmaram que Bruno reside atualmente em Cabo Frio (RJ). De acordo com a defesa, nesse município o regime semiaberto funciona na modalidade domiciliar. Por fim, o escritório informou que irá apresentar recurso contra a decisão judicial.
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Caso Eliza Samudio levou à condenação
A Justiça condenou Bruno em 2013 a mais de 22 anos de prisão pelos crimes de homicídio qualificado, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver da modelo Eliza Samudio, desaparecida em 2010 em Minas Gerais.
A vítima era mãe de Bruninho Samudio, filho do goleiro, hoje atleta das categorias de base do Botafogo. No entanto, o corpo da modelo nunca foi localizado. Após a condenação, Bruno permaneceu preso por anos até conseguir progressão de regime.
Em 2019, a Justiça autorizou a passagem para o regime semiaberto. Depois disso, em janeiro de 2023, concedeu o livramento condicional, etapa final antes da extinção da pena.
Nesse contexto, a prisão do goleiro Bruno abre um novo capítulo na execução da pena do ex-jogador. Ao mesmo tempo, a decisão reforça que o cumprimento rigoroso das regras impostas pela Justiça continua determinante para a manutenção de benefícios penais.