Alta do petróleo Brent leva barril a US$ 108 e expõe risco global de oferta

A Alta do petróleo Brent levou o barril a US$108 após a escalada da guerra envolvendo Irã, EUA e Israel. O risco de interrupção no Estreito de Ormuz e cortes na produção ampliam a pressão no mercado global de energia.
Plataforma de petróleo em alto-mar em meio à alta do petróleo Brent causada pela guerra no Oriente Médio - Foto: Geraldo Falcão / Agência Petrobras
Plataforma de extração em alto-mar: escalada do conflito no Oriente Médio pressiona a oferta global e impulsiona a alta do petróleo Brent. - Foto: Geraldo Falcão / Agência Petrobras

A alta do petróleo Brent levou o barril a US$ 108,20 nesta segunda-feira (09/03), após avanço diário de US$ 15,51, em meio à escalada da guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel e ao aumento do risco de interrupções no transporte de petróleo no Oriente Médio.

No mesmo momento, o petróleo WTI (West Texas Intermediate) dos Estados Unidos subia US$ 14,23, para US$ 105,13 por barril. Em picos intradiários, os contratos chegaram a US$ 119, configurando um dos maiores saltos já registrados em um único dia no mercado internacional.

Alta do petróleo Brent ocorre sob risco no Estreito de Ormuz

A disparada ocorre enquanto cresce a ameaça de bloqueio do Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Qualquer interrupção na rota tende a afetar diretamente a oferta global.

Além disso, as atividades de navios-tanque já desaceleraram diante de riscos de segurança. Compradores asiáticos aparecem entre os mais expostos, pois dependem fortemente do petróleo exportado pelo Oriente Médio.

“A menos que os fluxos de petróleo pelo Estreito de Ormuz sejam retomados em breve e que as tensões regionais diminuam, é provável que a pressão de alta sobre os preços persista”, afirmou Vasu Menon, diretor-gerente de estratégia de investimentos da OCBC, em Cingapura.

Cortes de produção ampliam pressão no mercado

Enquanto o conflito avança, alguns produtores iniciaram cortes na oferta de energia. Iraque e Kuwait reduziram a produção de petróleo, somando-se à diminuição anterior nas exportações de gás natural liquefeito do Catar.

Analistas avaliam que Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita também podem reduzir produção nas próximas semanas. A limitação de armazenamento e os riscos logísticos na região pressionam a cadeia de abastecimento.

Além disso, incidentes recentes ampliaram o clima de insegurança energética. A BAPCO, do Bahrein, declarou força maior após ataque a um complexo de refinarias.

No mesmo período, autoridades dos Emirados Árabes Unidos relataram um incêndio em área industrial petrolífera de Fujairah após a queda de detritos. Já o Ministério da Defesa da Arábia Saudita afirmou ter interceptado um drone direcionado ao campo petrolífero de Shaybah.

Alta do petróleo Brent: Mudança na liderança do Irã influencia mercado

Outro elemento que reforçou a pressão nos preços foi a indicação de Mojtaba Khamenei para suceder Ali Khamenei como líder supremo do Irã.

Segundo analistas, a decisão indica continuidade da linha política adotada por Teerã durante o conflito com os Estados Unidos e Israel.

“Com a nomeação do filho do falecido líder como novo líder do Irã, o objetivo do presidente dos EUA, Donald Trump, de mudança de regime no país tornou-se mais difícil”, afirmou Satoru Yoshida, analista de commodities da Rakuten Securities.

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G7 discute uso de reservas estratégicas

Diante da disparada dos preços, ministros das finanças do G7 e a Agência Internacional de Energia (IEA) discutem a possibilidade de liberar reservas estratégicas de petróleo para conter a alta.

Ao mesmo tempo, a Saudi Aramco ofereceu fornecimento imediato de petróleo por meio de licitações emergenciais, numa tentativa de ampliar a oferta.

Ainda assim, analistas apontam que o mercado segue sensível a qualquer novo episódio militar na região. A alta do petróleo Brent tende a continuar guiada por fatores geopolíticos. Enquanto persistirem ataques a infraestrutura energética e riscos ao transporte marítimo no Golfo, o mercado global de energia permanecerá sujeito a volatilidade elevada.

Foto de Jussier Lucas.

Jussier Lucas.

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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