O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve deixar o cargo na próxima semana para disputar o Governo de São Paulo. Interlocutores do petista passaram a tratar a candidatura como definida nesta segunda-feira (09/03). Com isso, Haddad deixa Fazenda para entrar na corrida eleitoral pelo Palácio dos Bandeirantes.
A saída do comando da política econômica ocorre após semanas de conversas entre Haddad e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o cenário eleitoral paulista. Segundo aliados, o presidente defendeu que o ministro assuma a disputa para garantir ao PT um palanque competitivo no maior colégio eleitoral do país..
Haddad deixa Fazenda após articulação política com Lula
A definição foi discutida em encontros recentes entre Haddad e Lula, incluindo um jantar em Brasília e um café reservado realizado em São Paulo semanas antes. Nessas reuniões, os dois trataram do futuro político do ministro e da estratégia eleitoral do partido.
De acordo com interlocutores do governo, Lula já afirmava a aliados que a candidatura estava encaminhada. Ao mesmo tempo, o presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, repetia o mesmo diagnóstico em conversas políticas.
Auxiliares próximos do ministro, que inicialmente demonstravam dúvidas sobre a disputa, passaram a considerar o lançamento da candidatura como certo. Com isso, a articulação eleitoral ganhou novo ritmo dentro do partido.
Formação de chapa envolve negociações com ministras
Entre as articulações discutidas para a eleição paulista está a possibilidade de Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, e Simone Tebet, ministra do Planejamento, concorrerem ao Senado na mesma chapa.
Para isso, ambas teriam de alterar suas filiações partidárias. Além disso, a tendência discutida envolve a migração de Marina da Rede para o PT e de Tebet do MDB para o PSB.
No caso de Tebet, também seria necessário transferir o domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para São Paulo. Assim, a composição da chapa dependerá de negociações políticas nos próximos meses.
Resistência inicial deu lugar à candidatura
Haddad demonstrava resistência à disputa pelo receio de sofrer derrota eleitoral. Ainda assim, Lula insistia na necessidade de lançar um nome forte no estado.
Além disso, interlocutores citam a ascensão de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas, fator que levou Haddad a reconsiderar sua posição sobre a candidatura.
Nesse contexto, aliados avaliam que o ministro é hoje o nome mais competitivo do campo de esquerda para enfrentar a eleição paulista. Por isso, a decisão de disputar o cargo passou a ganhar apoio dentro do governo.
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Haddad deixa fazenda: Pesquisa indica vantagem de Tarcísio
Levantamento do instituto Datafolha mostra vantagem do atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no cenário estimulado.
Segundo a pesquisa, Tarcísio aparece com 44% das intenções de voto, seguido por Haddad com 31%. Enquanto isso, o ex-prefeito de Santo André Paulo Serra (PSDB) e o deputado Kim Kataguiri (União Brasil) registram 5% cada. Já o comentarista Felipe D’Avila (Novo) soma 3%.
No levantamento, 50% dos entrevistados afirmam conhecer bem Haddad, enquanto 47% dizem o mesmo sobre Tarcísio. Por sua vez, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) aparece com 54%, e Simone Tebet registra 22%.
Diante desse cenário, o fato de que Haddad deixa Fazenda inaugura uma nova etapa da disputa pelo governo paulista. Assim, a eleição estadual tende a influenciar também a reorganização política do PT e a estratégia eleitoral do presidente Lula para 2026.