Documentos de transações financeiras, autos judiciais e registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indicam que o espanhol Oliver Ortiz de Zarate Martin, condenado por tráfico internacional de drogas, aparece como cotista de fundos ligados à operação que levou o empresário Daniel Vorcaro a adquirir o Banco Master. O narcotraficante no Banco Master surge nesses registros como investidor em estruturas financeiras vinculadas ao Grupo Aquilla.
A informação foi apresentada em reportagem do portal ICL Notícias, que ouviu uma fonte do mercado financeiro que afirma ter acompanhado as negociações. Segundo essa fonte, os documentos analisados indicam a participação do espanhol em fundos ligados ao grupo.
Narcotraficante no Banco Master aparece em fundos do grupo financeiro
Registros datados de 30 de outubro de 2015 mostram Oliver Ortiz como cotista de fundos administrados pela antiga Foco Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), hoje chamada Sefer Investimentos.
Essas estruturas estavam ligadas ao Grupo Aquilla, conglomerado financeiro que reunia gestora de recursos, distribuidora de títulos e securitizadora autorizadas pela CVM.
Segundo a fonte ouvida pela reportagem, fundos administrados pelo grupo participaram da estrutura usada na aquisição do Banco Máxima. Vorcaro comprou a instituição em 2017 e, quatro anos depois, o banco passou a operar com o nome Banco Master.
Operador do mercado aparece como elo da operação
A investigação também aponta o operador de mercado Benjamim Botelho de Almeida como elo entre os investidores e a estrutura financeira associada ao banco.
De acordo com a Polícia Federal (PF), Botelho atuava como operador financeiro ligado a Vorcaro. Além disso, ele mantinha vínculos com a Sefer Investimentos, responsável por administrar fundos relacionados ao Grupo Aquilla.
Em decisão judicial que autorizou medidas da segunda fase da Operação Compliance Zero, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou Botelho como controlador da antiga Foco DTVM.
Investigação aponta uso de fundos e empresas
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de fraude envolvendo operações estruturadas com fundos de investimento e empresas ligadas ao banco.
Segundo a Polícia Federal, cerca de R$ 2 bilhões provenientes de fundos de previdência de servidores foram aplicados no Banco Master.
Além disso, os investigadores afirmam que parte das operações envolvia a compra de empresas de baixo valor. Em seguida, os responsáveis inflavam artificialmente os resultados financeiros. Esse mecanismo poderia ampliar o valor de ativos e atrair novos investidores.
Histórico do banco antecede atual investigação
Antes de se tornar Banco Master, a instituição operava como Banco Máxima. Em 2016, o Banco Central do Brasil (BCB) declarou o banco inabilitado por gestão fraudulenta.
No ano seguinte, Daniel Vorcaro adquiriu a instituição. Em 2021, o banco passou a operar com a nova marca.
Posteriormente, o Banco Central liquidou o Banco Master em novembro do ano passado após o avanço das investigações sobre irregularidades financeiras.
Histórico criminal do investidor citado
O espanhol Oliver Ortiz de Zarate Martin foi preso no Rio de Janeiro em 2013 e condenado no mesmo ano a 16 anos de prisão por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), ele liderava uma estrutura de envio de cocaína para a Europa. Além disso, utilizava imóveis e empresas para ocultar recursos obtidos com o crime.
Documentos citados pela reportagem indicam que parte desses recursos foi direcionada para fundos imobiliários vinculados ao Grupo Aquilla.
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Narcotraficante no Banco Master: Estrutura imobiliária aparece nas operações
Relatos apresentados à reportagem indicam que Oliver Ortiz adquiriu terrenos na Baixada Fluminense por valores reduzidos. Depois disso, ele integralizou esses imóveis em fundos de investimento.
Posteriormente, avaliações realizadas a preços de mercado ampliavam o valor patrimonial das cotas desses fundos.
Segundo a fonte ouvida, esse tipo de operação se assemelha a práticas investigadas pela Polícia Federal na apuração sobre o funcionamento financeiro do banco.
Sob uma perspectiva mais ampla, o caso do Narcotraficante no Banco Master amplia a investigação sobre a origem dos recursos que circularam na estrutura financeira associada ao banco antes de sua liquidação. Assim, as apurações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público buscam identificar a extensão dessas conexões e eventuais responsabilidades criminais.