A escalada da guerra no Oriente Médio entrou no debate sobre segurança do país nesta segunda-feira (09/03). Nesse cenário, Lula e defesa nacional passaram a ocupar o centro da discussão após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar que o Brasil precisa se preparar militarmente diante das tensões internacionais. Segundo o petista, o país corre risco caso não fortaleça sua capacidade de defesa.
A declaração ocorreu após reunião no Palácio do Planalto com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, que realizou visita de Estado ao Brasil. Durante a cerimônia, Lula afirmou que o cenário internacional exige maior preparo estratégico de países que não integram os principais blocos militares.
Segundo o presidente, a falta de preparação pode expor o país a ameaças externas.
“Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente”, declarou Lula ao comentar o contexto internacional.
Lula e defesa nacional no cenário de tensão global
O posicionamento foi apresentado em meio à escalada militar entre Irã e Israel. Nesse contexto, Lula classificou o conflito como uma ameaça à paz e à segurança internacional e afirmou que confrontos regionais podem provocar efeitos mais amplos na economia global.
Além disso, o presidente mencionou a alta no preço do petróleo após ataques mútuos entre os dois países contra plataformas estratégicas de energia. Segundo Lula, conflitos desse tipo interferem diretamente nas cadeias globais de energia, insumos industriais e alimentos.
Por consequência, esses impactos acabam atingindo sobretudo populações mais vulneráveis. Por isso, Lula afirmou que mulheres e crianças costumam sofrer mais com as consequências econômicas de crises internacionais prolongadas.
Cooperação militar entre Brasil e África do Sul
Durante o encontro bilateral, Lula também defendeu que Brasil e África do Sul ampliem a cooperação estratégica na área de defesa. Para o presidente, os dois países possuem necessidades semelhantes e, portanto, podem desenvolver projetos conjuntos.
Nesse sentido, Lula afirmou que as duas nações podem unir capacidades industriais e tecnológicas para produzir equipamentos militares. Assim, a proposta, segundo ele, é reduzir a dependência de fornecedores internacionais de armamentos.
“Essa é uma coisa que o Brasil tem necessidade similar à necessidade da África do Sul. Portanto, a gente tem que juntar o nosso potencial e ver o que podemos produzir juntos. Não precisamos ficar comprando dos senhores das armas”, afirmou o presidente.
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Minerais críticos entram na agenda estratégica
Além do tema militar, Lula mencionou a possibilidade de cooperação entre Brasil e África do Sul na exploração de minerais críticos e terras raras. Segundo o presidente, os dois países possuem potencial relevante nesse setor.
Por esse motivo, Lula defendeu a realização de um levantamento sobre as reservas sul-africanas desses recursos.
“Nós precisamos ter um levantamento concreto do que a África do Sul tem de minerais críticos e terras raras”, declarou.
Ao mesmo tempo, a posição defendida pelo governo brasileiro indica que o país busca evitar atuar apenas como exportador de matérias-primas estratégicas. Assim, a proposta é estimular que o processo de industrialização desses minerais ocorra no próprio território nacional.