As investigações sigilosas do MPF (Ministério Público Federal) sobre o Banco Master chegaram ao dono da instituição, Daniel Vorcaro, meses antes de sua prisão, segundo mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF). Os arquivos foram enviados em 24 de julho de 2025, quando três procedimentos da Procuradoria da República no Distrito Federal ainda tramitavam sob sigilo.
Nas conversas, obtidas no celular apreendido após a detenção do banqueiro, aparece o envio desses documentos a Vorcaro por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. O material foi localizado pela PF após a primeira prisão de Vorcaro, quando ele tentava embarcar em Guarulhos para Dubai, com escala em Malta.
Duas das investigações sigilosas do MPF tratavam da negociação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). A Justiça Federal classificou a operação como “pura camaradagem”, expressão citada na investigação.
O terceiro procedimento investigava suspeitas sobre o uso de um triplex de luxo em São Paulo, avaliado em R$ 60 milhões, como propina na negociação. Além do impacto, o caso expõe uma fragilidade institucional ainda pouco esclarecida.
Investigações sigilosas do MPF e suspeita de vazamento
A Polícia Federal também apura se houve vazamento da ordem de prisão do banqueiro. Um dos indícios surge em uma petição que a defesa de Vorcaro enviou no mesmo dia em que o juiz assinou o mandado.
O juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, assinou a decisão às 15h29 de 17 de novembro de 2025. Apenas 18 minutos depois, às 15h47, advogados do banqueiro já haviam enviado manifestação à Justiça.
No documento, a defesa se posicionou contra possíveis medidas cautelares que poderiam causar “impacto relevante” ao conglomerado financeiro. A petição citava uma notícia sobre investigação envolvendo a negociação do Banco Master com o BRB.
Como surgiram as investigações sigilosas do MPF
Investigadores apontam que Vorcaro e aliados buscavam procedimentos usando palavras-chave como “Banco Master”, “Vorcaro” e “Nelson Tanure”, citado pela Polícia Federal como possível sócio oculto da instituição.
Segundo decisão do ministro André Mendonça, registros indicam que o banqueiro teve acesso prévio a informações sobre diligências investigativas. O material também aponta consultas e extrações de dados em sistemas restritos.
De acordo com a decisão, Luiz Phillipi Mourão realizou consultas em bases de órgãos públicos usando credenciais funcionais de terceiros. As investigações mencionam acessos a sistemas da PF, do MPF e até de organismos internacionais.
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Como surgiram os documentos sigilosos no caso Banco Master
Em outra frente, investigadores afirmam que o grupo conduziu uma campanha de spearfishing contra servidores do MPF. O golpe utilizava páginas falsas de troca de senha com aparência semelhante ao ambiente digital da Procuradoria-Geral da República.
A partir dessa estratégia, os envolvidos teriam obtido acesso a procedimentos sigilosos relacionados ao caso Banco Master. A investigação encontrou mensagens que indicam que o grupo compartilhou internamente documentos dessas investigações sigilosas do MPF.
Sob outra perspectiva, o episódio se conecta ao momento de pressão financeira do banco. O Banco Central havia alertado em abril de 2025 que as medidas adotadas pelo conglomerado não reduziam o risco de liquidez.
Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) também identificou irregularidades nas carteiras de crédito cedidas ao BRB. O relatório citou operações suspeitas e sem comprovação financeira, indicando possível distorção da real situação contábil do banco.
Nesse contexto, a negociação com o banco estatal surgia como alternativa para estabilizar a instituição. O acesso antecipado a investigações sigilosas do MPF, porém, amplia a pressão sobre o caso e expõe fragilidades na proteção de sistemas institucionais.