Buscas no Rancho de Epstein investigam denúncia de corpos enterrados

Autoridades iniciaram buscas no Rancho de Epstein após novos documentos revelarem denúncias sobre possíveis vítimas enterradas e destruição de evidências. A investigação foi reaberta pelo estado do Novo México após anos encerrada.
Jeffrey Epstein, financista associado ao Rancho de Epstein no Novo México
Jeffrey Epstein, proprietário do Rancho de Epstein no Novo México, alvo de nova investigação após denúncias ligadas à propriedade. Foto: Reprodução

Autoridades do Novo México iniciaram na segunda-feira (09/03) buscas no Rancho de Jeffrey Epstein, após novas denúncias levantarem suspeitas sobre possíveis vítimas enterradas no local. A operação mobilizou equipes policiais e cães farejadores e ocorre após a divulgação de novos documentos federais relacionados ao caso.

A investigação sobre o rancho de Epstein foi reaberta pelo procurador-geral do estado, Raúl Torrez, que decidiu retomar as apurações sobre supostas atividades criminosas na propriedade situada a 48 quilômetros ao sul de Santa Fe. O cenário, contudo, revela novos elementos.

Rancho de Epstein entra novamente no radar das autoridades

A operação ocorre após a divulgação, em 30 de janeiro, de mais de 3 milhões de documentos relacionados ao caso Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Nos registros, o rancho de Epstein aparece citado milhares de vezes como possível cenário de abusos investigados.

Os documentos acusam Epstein de ordenar o enterro de duas meninas estrangeiras em colinas próximas à propriedade, o que levou autoridades estaduais a aprofundar a investigação.

A decisão institucional marcou uma mudança de postura. No entanto, o estado encerrou a investigação anterior em 2019 após autoridades federais solicitarem a medida, sem examinar todas as denúncias relacionadas ao rancho de Epstein.

Estruturas suspeitas levantam novas dúvidas

Relatórios também indicam que o FBI recebeu alertas sobre um possível incinerador escondido em um celeiro recém-construído na propriedade. A estrutura teria destruído possíveis evidências de crimes cometidos no Rancho de Epstein.

Um relatório policial de julho de 2019 descreve o edifício como incomum para atividades rurais. Além disso, o relatório descreve uma chaminé e um sistema de segurança do tipo “sally port”, no qual múltiplos portões controlam o acesso ao interior da construção

Segundo o relatório, o celeiro despertou suspeitas porque tinha uma entrada semelhante à de áreas de segurança e podia abrigar equipamentos de incineração. O texto registra o temor de que o local pudesse servir para destruir evidências.

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Relatos de vítimas reforçam suspeitas

Depoimentos reunidos ao longo das investigações também reforçaram suspeitas sobre atividades ilegais no rancho de Epstein. Uma vítima identificada como “Jane Doe 15” afirmou ter sido estuprada na propriedade quando tinha apenas 15 anos.

Outra mulher, Annie Farmer, relatou que Ghislaine Maxwell, associada a Epstein, teria apalpado seus seios no local quando ela ainda era adolescente. Os relatos ampliaram a pressão para que as autoridades revisassem o histórico da propriedade.

As buscas desta semana ocorrem com autorização dos atuais proprietários do rancho de Epstein. A propriedade foi adquirida em 2023 por US$ 13,4 milhões pelo empresário texano Don Huffines. A família rebatizou o local como San Rafael Ranch.

Enquanto a investigação avança, o caso volta a expor uma pergunta que persiste há anos. Por que as autoridades deixaram uma propriedade associada a denúncias graves fora do foco por tanto tempo. O desfecho da nova apuração poderá redefinir o alcance institucional do caso Epstein.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1 News Brasil, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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