Por meio do sistema do Banco Central do Brasil (BC) que permite recuperar dinheiro esquecido em bancos, brasileiros sacaram R$ 403,29 milhões em janeiro. Apesar da retirada mensal de recursos, o sistema financeiro ainda registra R$ 10,5 bilhões disponíveis para resgate em contas e registros mantidos por instituições financeiras.
O levantamento indica que o Sistema de Valores a Receber (SVR) já devolveu R$ 13,76 bilhões desde a criação da ferramenta. Ainda assim, milhões de correntistas continuam sem retirar recursos registrados em bancos, consórcios e cooperativas ao longo dos anos.
Dinheiro esquecido em bancos ainda soma bilhões
Instituições financeiras registram esses valores principalmente em contas encerradas, consórcios finalizados e cobranças financeiras não reclamadas pelos clientes.
Até o fim de janeiro, 37.719.258 correntistas retiraram recursos pelo sistema. Entre eles, 33.740.425 são pessoas físicas e 3.978.833 são pessoas jurídicas, conforme as estatísticas divulgadas pelo Banco Central.
Ao mesmo tempo, 54.612.272 beneficiários ainda não retiraram valores disponíveis no SVR. Nesse grupo estão 49.520.452 pessoas físicas e 5.091.820 pessoas jurídicas.
Valores esquecidos são, em geral, quantias pequenas
Os dados também mostram que a maior parte dos correntistas possui direito a quantias reduzidas.
Cerca de 64,57% dos beneficiários têm até R$ 10 disponíveis para saque. Outros 23,49% possuem valores entre R$ 10,01 e R$ 100.
Já 10,04% concentram quantias entre R$ 100,01 e R$ 1 mil, enquanto apenas 1,9% têm direito a receber mais de R$ 1 mil.
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Dinheiro esquecido em bancos: sistema permite consulta e solicitação de resgate
O SVR reúne registros de valores não reclamados em bancos, cooperativas, consórcios e corretoras.
O cidadão pode iniciar a consulta informando CPF ou CNPJ e a data correspondente, sem necessidade de login. Caso o sistema identifique algum valor, o acesso completo exige conta Gov.br nível prata ou ouro, além de verificação em duas etapas.
O correntista pode solicitar o resgate diretamente no sistema, entrar em contato com a instituição financeira responsável ou ativar a solicitação automática de valores, disponível para pessoas físicas com chave Pix vinculada ao CPF.
O Banco Central alerta que todos os serviços do sistema são gratuitos e orienta os usuários a ignorarem mensagens que ofereçam intermediação para saque. A autarquia também afirma que não envia links nem solicita dados pessoais para tratar de valores esquecidos.
Nesse cenário, o volume ainda elevado de dinheiro esquecido em bancos mostra que bilhões permanecem dispersos em registros financeiros antigos. Mesmo com novos saques registrados a cada mês, a recuperação desses recursos depende da consulta individual de milhões de correntistas que ainda não verificaram se possuem valores disponíveis.